PF vai aplicar delação até Supremo decidir, avisa diretor

PF vai aplicar delação até Supremo decidir, avisa diretor

Em meio à forte polêmica envolvendo procuradores da República que reivindicam a primazia dos acordos de colaboração premiada, delegado Leandro Daiello, chefe da PF há seis anos e meio, diz que instituto é 'instrumento de investigação'

Luiz Vassallo

11 Agosto 2017 | 21h47

Leandro Daiello. FOTOS: LUIZ VASSALLO/ESTADÃO

Em meio à intensa polêmica que cerca a delação premiada – cuja primazia é reivindicada pela Procuradoria da República – , o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello, é incisivo. “A colaboração premiada é um instrumento de investigação. E sendo um instrumento de investigação é para ser aplicado pela Polícia Federal.”

A delação premiada é a alma da Lava Jato e de muitas outras operações desfechadas pela PF contra a corrupção e fraudes na administração pública. Os delatores, em 72 acordos firmados, revelaram o submundo do cartel de propinas instalado na Petrobrás, entre 2004 e 2014. Deram nomes ao grande universo de políticos contemplados com recursos ilícitos.

Durante evento na Escola de Direito da FMU, em São Paulo, nesta sexta-feira, 11, Daiello foi taxativo e mandou um recado a quem se opõe à PF na linha de frente, negociando colaboração com investigados. “Continuaremos fazendo até uma decisão do Supremo Tribunal Federal”, avisou o diretor.


O STF se prepara para por em pauta a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5508, na qual o procurador-geral da República Rodrigo Janot questiona dispositivos da Lei 12.850/2013 – artigo 4.º, parágrafos 2.º e 6.º – que atribuem aos delegados de polícia o poder de realizar acordos de delação.

Na quarta-feira, 9, o ministro Marco Aurélio Mello, relator da ADI, pediu informações a Daiello sobre o procedimento adotado na PF para formalização de acordos de colaboração premiada.

“É óbvio que não vou antecipar decisão do Supremo”, disse o diretor.

Daiello disse que ‘não vê espaço para disputa de poder entre a Polícia Federal e o Ministério Público’. Mas insistiu em sua convicção de que a colaboração é ‘instrumento de investigação’ e, portanto, deve ser empregado pela polícia.

O delegado falou da possibilidade de troca no comando da corporação. “A troca de diretor-geral poderá dar mais juventude na administração. Ele (seu sucessor) vai ter espaço para a sua característica de administração, mas jamais vai ter espaço para não fazer o que a lei determina”, recomendou.

“Nós, da Polícia Federal, somos legalistas. O que pode nos parar é a lei. A organização não tem espaço para não ser legalista.”

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