PF suspeita que cunhada de Vaccari recebeu R$ 400 mil em propina de doleiro

Tesoureiro do PT foi questionado por delegados da Lava Jato se Marice Lima foi sua emissária em esquema de corrupção na Petrobrás; investigado nega

Redação

12 Fevereiro 2015 | 12h10

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

A Polícia Federal investiga se o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu do doleiro Alberto Youssef – alvo central da Operação Lava Jato – cerca de R$ 400 mil usando como emissária sua cunhada Marice Corrêa Lima. Em depoimento prestado no dia 5, em São Paulo – quando foi deflagrada a nova fase da Lava Jato, batizada de Operação My Way -, Vaccari foi questionado pelos delegados da PF se a cunhada foi usada como “courrier” para o recebimento de valores de propina na Petrobrás.

“Marice nunca prestou serviço de courrier”, afirmou Vaccari, segundo registro da PF. “Tampouco recebeu R$ 400 mil em espécie de Alberto Youssef.”

Vaccari foi um dos 11 acusados de serem operadores de propina na Petrobrás, via ex-diretor de Serviços Renato Duque. Todos foram conduzidos coercitivamente à PF para prestar esclarecimentos no dia 5. O tesoureiro do PT falou por cerca de três horas e negou a acusação do doleiro, em sua delação, de a cunhada ter recebido R$ 400 mil em seu nome.

“Não confirma a declaração prestada por Alberto Youssef, onde esse teria afirmado que Marice seria (sua) emissária”, registrou a PF.

Na nona fase da Operação Lava Jato, denominada My Way, o tesoureiro do PT, João Vaccari, foi levado à PF para depor. Foto: Felipe Rau/Estadão

Na nona fase da Operação Lava Jato, denominada My Way, o tesoureiro do PT, João Vaccari, foi levado à PF para depor. Foto: Felipe Rau/Estadão

Em novembro, a cunhada de Vaccari também foi levada coercitivamente para depor na PF, depois de interceptação telefônica indicar a entrega de valores de uma das construtoras do cartel alvo da Lava Jato, em seu endereço, em São Paulo. O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco – outros dois delatores da Lava Jato – revelaram à PF que Vaccari era o elo do PT com o esquema de arrecadação de propina que variava de 1% a 3% em contratos bilionários da Petrobrás, desde 2003.

O tesoureiro do PT negou no depoimento à PF a informação do ex-diretor de Abastecimento. Disse não ter recebido 2% dessa “propina” nos contratos da Petrobrás.

MARICE ORGANOGRAMA OAS

PT. Vaccari foi citado em outubro pelos dois primeiros delatores da Lava Jato – Costa e Youssef – como contato do PT na Diretoria de Serviços para arrecadação de propina. Em novembro, seu nome voltou a ser apontado pelo ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco como elo do partido no esquema.

Segundo Barusco, Vaccari operou a arrecadação de até US$ 200 milhões em propina na Petrobrás entre 2003 e 2013. A delação do ex-gerente de Engenharia – braço direito de Duque, na época – serviu de base para a nona fase da operação Lava Jato, deflagrada há uma semana.

Vaccari foi perguntado pelos delegados sobre esses valores. Em resposta, o tesoureiro disse “nunca ter recebido, em nome do Partido dos Trabalhadores, o valor aproximado de US$ 150 a 200 milhões de ‘propina’ ´proveniente de 90 contratos firmados com a Petrobrás”.

Para os investigadores, Duque era o diretor colocado pelo PT para efetivar a arrecadação de propina entre as 16 empresas do cartel que se organizou para afastar concorrência nas contratações da Petrobrás. Vaccari afirmou que todas as contribuições obtidas por ele para o partido “foram absolutamente dentro da lei”.

Ontem, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que vai acionar na Justiça o ex-gerente de Engenharia pelas afirmações de que o partido arrecadou até US$ 200 milhões em propina durante dez anos, em cerca de 90 contratos da Petrobrás.