PF pede remoção de Lula de sua ‘sala de Estado-Maior’

PF pede remoção de Lula de sua ‘sala de Estado-Maior’

Polícia solicitou a juíza que ex-presidente seja levado para outra unidade, após cerco ao prédio por manifestantes, protestos, romaria de políticos e aliados, chuva de cartas e ligações para policiais

Ricardo Brandt

24 Abril 2018 | 12h55

Lula chega à sede da PF em Curitiba, no sábado, 7. FOTO: ALEX SILVA/ESTADÃO

A Polícia Federal pediu a remoção de Luiz Inácio Lula da Silva de suas dependências, em Curitiba.

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Na sexta-feira, 20, foi pedido sob sigilo à juíza Carolina Moura Lebbos, da 12.ª Vara Federal de Curitiba, que o ex-presidente deixe a “cela” especial preparada para início do cumprimento da pena de 12 anos e um mês de prisão no caso triplex do Guarujá (SP).

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Nesta segunda-feira, 23, a juíza responsável pela execução da pena de Lula determinou que o pedido seja analisado em um processo à parte. “Autue-se em apartado o expediente.”

O Estado apurou que a PF não indicou para qual unidade prisional Lula deve ser removido.

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Na tarde de hoje, a polícia em Curitiba confirmou que pediu a transferência e alegou que um dos motivos é o custo que tem sido gerado pela manutenção de Lula na unidade. A estimativa apresentada foi de R$ 300 mil com custeio de reforço policial despendido para garantir a segurança do prédio e o funcionamento da unidade – sitiada desde a prisão do petista.

Cárcere. Em sua terceira semana encarcerado na PF, para início de cumprimento da pena – após encerramento do processo em segunda instância -, a defesa do ex-presidente não pediu até aqui o pedido de remoção para uma unidade prisional próxima do domicílio, um direito previsto na Lei de Execução Penal.

Documento

Nesta segunda-feira, 23, a juíza negou pedido de 14 pessoas que queriam visitar Lula na “cela” especial em que está preso na PF alegando serem amigos do ex-presidente. Carolina Lebbos determinou que as visitas ao petista, enquanto ele estiver na unidade policial, estarão restritas aos familiares, além do contato regular com os advogados.

Pela regra, Lula tem direito de ver a família uma vez por semana. O contato com os advogados é diário, durante os dias úteis da semana. Regras iguais as dos demais detentos que estão na carceragem da PF, que fica dois andares abaixo do local onde está sua “cela” especial. A aliados, ao advogado e nas mensagens ao militantes enviados nas últimas semanas, o petista reclama do isolamento, não das condições físicas do cárcere.