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JOãO SANTANA

PF pede preventiva para ex-marqueteiro de Lula e Dilma

Investigadores apontam novos indícios de repasses de 'acarajés' para João Santana e sua mulher e sócia Monica Moura

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Mateus Coutinho

03 Março 2016 | 11h53

Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que está presa em Curitiba, alvo da Lava Jato

Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que está presa em Curitiba, alvo da Lava Jato

A Polícia Federal pediu nesta quinta-feira, 3, ao juiz Sérgio Moro que mantenha em prisão preventiva o publicitário João Santana e sua mulher e sócia Monica Moura, ex-marqueteiros de Lula e Dilma nas campanhas de 2006, 2010 e 2014. Alvo da Operação Acarajé o casal foi preso na quarta-feira, 24, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Inicialmente, Moro impôs a Santana e a Monica regime temporário por cinco dias, prorrogada por mais cinco na sexta-feira, 26. Ao pedir conversão da prisão em regime preventivo – sem prazo para terminar – a PF alegou ‘não restar dúvidas” que a sigla “Feira” é uma referência para o casal.

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Os investigadores citam um laudo grafotécnico apontando que bilhetes encontrados na residência de Maria Lúcia Tavares, secretária de executivos da Odebrecht, com o termo “Feira” e vários telefones do casal e menções a horários foram redigidos por Mônica Moura.

Documento

Maria Lúcia era a suposta controladora de repasses ilícitos da empreiteira para o casal de marqueteiros. A palavra ‘acarajé’ era a senha para as transferências. “Há fortes indícios aqui de trinta e nove operações de pagamentos em espécie dos “acarajés”! Ademais, a utilização de codinomes e entregas cifradas não deixam margem quanto à origem espúria dos valores aqui identificados”, assinalam os delegados Márcio Adriano Anselmo e Renata Silva Rodrigues, que presidem o inquérito da Acarajé.

A investigação aponta repasses no exterior de US$ 7,5 milhões da Odebrecht para o casal entre 2012 e 2014.

Os investigadores citam uma nova planilha encontrada com Maria Lucia, com o título “Lançamentos X Saldo (Paulistinha) e a referência a “Feira”, e indicando pagamentos de R$ 21,5 milhões a siglas diversas como “café”, “crise”, “tênis” entre 30 de outubro de 2014 e primeiro de julho de 2015, quando a Lava Jato já avançava sobre a Odebrecht.

A PF alega que o casal recebeu dinheiro da empreiteira no exterior, o que foi negado por ambos em depoimentos prestados aos investigadores e que “não haveria qualquer sentido em receber da Odebrecht valores no Brasil por conta de um suposto pagamento não oficial concernente a serviços prestados à campanhas eleitorais de Angola e Venezuela”, seguem os delegados.

O documento de 22 páginas ainda traz detalhes da quebra de sigilo do e-mail do casal mostrando que João Santana deletou sua conta no aplicativo Dropbox de armazenamento de arquivos na nuvem no dia 22, quando houve a deflagração da 23ª fase da Lava Jato que tinha como alvo o marqueteiro e sua mulher que só não foram presos na data porque estavam na República Dominicana. O casal voltou ao Brasil e se entregou aos investigadores no dia seguinte.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT:

“A Construtora Norberto Odebrecht não se manifestará sobre fatos que envolvem inquérito em andamento.”

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