PF mira em criador do Mais Médicos por suspeita de corrupção

PF mira em criador do Mais Médicos por suspeita de corrupção

Mozart Sales, alvo da Operação Pulso na Hemobrás, ocupou interinamente o Ministério da Saúde em 2014; rastreamento mostra movimentação de R$ 1,6 mi na conta de sua mulher

Andreza Matais, de Brasília, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

09 Dezembro 2015 | 14h10

mozartsalesdiv

Mozart Sales. Foto: Divulgação

Um dos principais alvos da Operação Pulso, deflagrada nesta quarta-feira, 9, pela Polícia Federal, é o médico Mozart Júlio Tabosa Sales, ex-ministro interino da Saúde do governo Dilma Rousseff. Segundo a PF, Mozart foi afastado do cargo de diretor da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) por suspeita de envolvimento com organização criminosa especializada em direcionar licitações e desviar recursos públicos.

Rastreamento na conta da mulher de Mozart, Jurema, indica, segundo a PF, que ela movimentou R$ 1,6 milhão em 2014 – quantia considerada atípica pelos investigadores porque ela recebe vencimentos de R$ 8 mil.

Mozart Sales assumiu o comando da Saúde em fevereiro de 2014, após a demissão do então ministro Arthur Chioro. Antes de ocupar a cadeira número 1 do ministério, Mozart exerceu a função de secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (2012/2014) e foi chefe de gabinete (2011/2012) do ministro Alexandre Padilha, hoje secretário do governo Fernando Haddad em São Paulo.


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Durante a gestão de Mozart Sales na Secretaria de Gestão foi criado o programa Mais Médicos, polêmica aposta do governo Dilma na área de Saúde.

Em seu perfil, publicado na página da Hemobrás na internet, Mozart afirma que “criou e coordenou a implantação do programa Mais Médicos em todo o território nacional, que beneficia mais de 50 milhões de pessoas em todo o País”.

Depois que saiu da Saúde, Mozart Sales assumiu o cargo de diretor de Produtos Estratégicos e Inovação da Hemobrás, empresa vinculada ao Ministério da Saúde.

Nesta quarta, 9, durante buscas da Operação Pulso, a Polícia Federal fez chover dinheiro vivo do alto de um prédio em Pernambuco. Os maços de notas ficaram espalhados pela calçada e ruas no entorno do prédio.

Foram mobilizados 170 policiais federais para cumprir as medidas previstas nesta fase, que recai sobre ilícitos em diversos contratos e licitações de logística de plasma e hemoderivados, bem como na própria obra de construção da fábrica em Goiana, Pernambuco.

A Hemobrás tem a missão de alcançar autonomia tecnológica na produção de medicamentos derivados do sangue necessários para abastecimento de pacientes da rede pública de saúde brasileira. Durante a operação, segundo a PF, percebeu-se que inúmeras amostras de sangue coletado que deveriam ser transformadas em medicamentos contra a hemofilia e outras doenças deixaram de ser usadas em virtude de armazenamento inadequado.

Os delitos investigados são peculato, corrupção passiva e ativa, fraude à Lei de Licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA SAÚDE

“O Ministério da Saúde considera inadmissível qualquer uso inadequado e irregular de recursos públicos, sobretudo quando se trata de desvios de verba da saúde, impactando na vida de pacientes e familiares. Até o momento, a pasta não foi notificada da Operação Pulso da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (9). Em todo caso, o Ministério da Saúde está buscando conhecer o objeto da investigação para que, então, possa adotar qualquer medida que seja necessária. Também se coloca à disposição das autoridades policiais para contribuir com as investigações.”

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