PF prende filho de Puccinelli na Operação Papiros de Lama

PF prende filho de Puccinelli na Operação Papiros de Lama

André Puccinelli Junior, que é advogado, é alvo da quinta fase da Operação Lama Asfáltica, em Mato Grosso do Sul, que investiga fraudes e desvios em obras com recursos públicos da União e mira até o ex-governador André Puccinelli (PMDB), contra quem a Justiça decretou mandado de prisão

Fausto Macedo e Julia Affonso

14 Novembro 2017 | 10h22

O ex-governador de Mato Grosso do Sul André Puccinelli. Foto: Ed Ferreira/Estadão

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, 14, o advogado André Puccinelli Junior no inquérito da Operação Papiros de Lama, a quinta fase da Lama Asfáltica, investigação sobre fraudes em licitações, desvios e propinas envolvendo obras com recursos públicos da União. O advogado é filho do ex-governador André Puccinelli (PMDB), contra quem a Justiça também expediu mandado de prisão.

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A PF suspeita que a organização criminosa supostamente integrada pelos Puccinelli desviou R$ 235 milhões do Tesouro.

Papiros de Lama foi deflagrada em parceria com a Receita e o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU). Estão sendo cumpridos dois mandados de prisão preventiva; dois de prisão temporária; seis de condução coercitiva; 24 de busca e apreensão.

A Justiça decretou o sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

As medidas estão sendo cumpridas em três cidades de Mato Grosso do Sul – Campo Grande, Nioaque e Aquidauana – e também em São Paulo. Papiros de Lama mobiliza 300 policiais e auditores da CGU e da Receita.

Segundo a CGU, a investigação identificou direcionamento de licitações, superfaturamento e pagamento de propinas.

A CGU informou que a investigação ‘tem como objetivo desarticular organização criminosa que desviava recursos públicos por meio de fraudes em licitações, superfaturamento de obras, entre outras irregularidades’.

Os recursos desviados passavam por processos elaborados de ocultação da origem, destaca a CGU.

“Há provas já existentes acerca de desvios e superfaturamentos em obras, direcionamento de licitações, uso de documentos falsos, aquisição ilícita e irregular de produtos e obras, concessão de créditos tributários direcionados e pagamento de propinas a agentes públicos.”

A nova fase da investigação decorre da análise dos materiais apreendidos em etapas anteriores, relacionado com fiscalizações, exames periciais e diligências investigativas.

“Há, ainda, a corroboração com depoimentos de colaboradores que participaram do esquema delituoso”, informou a Controladoria, em nota.

Papiros de Lama revela que os valores repassados por propina eram mascarados com diversos tipos de operações simuladas, ‘de forma a dar falsa impressão de licitude ao aumento patrimonial dos integrantes da organização ou de dar maior sustentação financeira aos projetos’.

Uma das novas formas descobertas da lavagem de capitais era a aquisição, sem justificativa plausível, de obras jurídicas, por parte de empresa concessionária de serviço público e direcionamento dos lucros, por meio de laranja, a integrante do grupo criminoso.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RENÊ SIUFI, DEFENSOR DE ANDRÉ PUCCINELLI

O advogado Renê Siufi, que defende o ex-governador André Puccinelli, reagiu com veemência à versão do delator Ivanildo Miranda, que alegou ter repassado propinas em dinheiro vivo para o peemedebista. “É inconsistente (a delação), ele fala que arrecadou até março de 2015. Nessa época, o André Puccinelli nem era mais governador. Só se ele (Ivanildo, o delator) estava arrecadando para alguém e para ele próprio”, declarou Siufi.

O defensor disse que iria aguardar a audiência de custódia, que deverá ser realizada ainda nesta terça-feira, 14, na Justiça Federal em Campo Grande. “Vamos ver qual o resultado. Se for mantida a ordem de prisão preventiva do governador, aí entramos com pedido de habeas corpus.”

Renê Siufi disse que Puccinelli já foi ouvido três vezes na Polícia Federal sobre os fatos atribuídos a ele na Operação Lama Asfáltica. “Ele (Puccinelli) já falou sobre 90%, os outros 10% são referentes à delação (de Ivanildo Miranda) que é totalmente inconsistente.”