PF indicia dono da Muranno Brasil por lavagem de dinheiro

PF indicia dono da Muranno Brasil por lavagem de dinheiro

Investigação aponta que Ricardo Villani, empresário de propaganda e marketing, recebeu R$ 3,4 milhões do esquema de corrupção instalado na Petrobrás

Julia Affonso e Ricardo Brandt

09 Janeiro 2018 | 05h15


A Polícia Federal indiciou o empresário Ricardo Marcelo Villani, dono da agência de propaganda e marketing Muranno Brasil, que teria sido contratada pela Petrobrás com dinheiro não contabilizado. Investigado na Operação Lava Jato, o executivo é suspeito de lavagem de R$ 3.474.440,50.

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“Pelas provas colhidas nos autos, formalizou-se a indiciação de Ricardo Marcelo Villani, prática do crime previsto no artigo 1.º da Lei nº 9.613/1998, tendo como crime antecedente os crimes de corrupção passiva cometidos na Diretoria de Abastecimento por Paulo Roberto Costa”, afirmou o delegado Ivan Ziolkowski, da Polícia Federal.

A investigação contra o empresário foi aberta em 16 de julho de 2014, após ele ter sido citado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef em delação premiada. O inquérito foi encerrado em 15 de dezembro de 2017.

Em depoimento, Villani relatou que desenvolveu o projeto Etanol Experience para divulgação do combustível em corridas de Fórmula Indy, nos Estados Unidos. Segundo o empresário, ele montava áreas com bares, buffet, simuladores de corrida para que os convidados pudessem conhecer o etanol.

O executivo narrou à Lava Jato que teve ‘dificuldades em receber os valores devidos, em torno de R$ 7 milhões’. Segundo Vilanni, depois de conversar com Paulo Roberto Costa recebeu uma ligação de Alberto Youssef ‘que lhe prometeu pagar R$ 1,5 milhão’ e confirmou ainda um pagamento de R$ 1,795 milhão.

Paulo Roberto Costa disse, em delação, que pediu para o doleiro quitar a dívida com a Muranno. O ex-dirigente da estatal declarou que atuou para o pagamento da empresa sob ordens do ex-presidente da companhia José Sérgio Gabrielli.

Relatório da PF aponta que Ricardo Villani controla também outras quatro empresas: Mistral Comunicação, Biogerar Gestão Ambiental, SE5 Inteligência Ambiental e Keep Marketing Brasil.

Os investigadores detectaram que a Muranno recebeu R$ 2.609,440,50 de duas empresas ligadas a Youssef e de uma empreiteira alvo da Lava Jato. As outras quatro, afirma o documento, levaram R$ 865 mil de empresas do doleiro.

“Todos esses recursos foram pagos com recursos desviados da Petrobrás em contabilidade paralela coordenada por Paulo Roberto Costa”, registrou o delegado.

De acordo com a Federal, o empresário não comprovou as atividades no Projeto Etanol Experience. O delegado anotou que Ricardo Villani ‘limitou-se a oferecer mera apresentação do projeto’.

“Deveria ter apresentado comprovantes das despesas realizadas no Brasil e/ou no exterior, trocas de mensagens com fornecedores, prestação de contas, comprovante de pagamentos a fornecedores, entre outros. Ou seja, o ‘grande contratador’ (Ricardo Villani) não apresentou um documento que comprovasse os gastos efetivados nos Estados Unidos para conduzir o projeto do etanol brasileiro, que segundo Ricardo, foram quase R$ 7 milhões”, narrou Ivan Ziolkowski.

COM A PALAVRA, RICARDO VILLANI

A reportagem entrou em contato com a defesa do empresário Ricardo Villani, que informou que vai se manifestar no processo.

COM A PALAVRA, GABRIELLI

Em depoimento no inquérito, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli negou à Polícia Federal que tenha dado ordem para que a agência de publicidade Muranno Brasil Marketing fosse paga.

“Indagado se já recebeu cobranças ou pressões de Ricado Marcelo Villani (dono da Muranno) no sentido de que o mesmo iria denunciar o pagamento de vantagens indevidas feitas em beneficio do PT, o declarante (Gabrielli) afirma que jamais recebeu qualquer tipo de cobrança ou pressão”, afirmou o ex-presidente da Petrobrás, em depoimento prestado à PF no dia 9 d dezembro de 2015.

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