PF formaliza criação de grupo para investigar políticos

PF formaliza criação de grupo para investigar políticos

Polícia Federal encaminhou ao ministro Raul Jungmann, de Segurança Pública, proposta de instalação de unidade de inquéritos especiais perante o Supremo

Fabio Serapião / BRASÍLIA

22 Março 2018 | 15h26

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal encaminhou ao ministro Raul Jungmann, do Ministério de Segurança Pública, uma proposta para criar formalmente o grupo de inquéritos especiais perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Até então, o GINQ não era um setor formalmente constituído dentro do organograma da corporação. Agora, o grupo ganha novo status dentro da estrutura da PF e passa a se chamar Serviço de Inquéritos Especiais (SINQ).

Nessa nova configuração, a delegada Denisse Ribeiro ficará com o comando do SINQ, responsável por todas as investigações de políticos que tramitam pelo STF, entre elas, as relacionadas à Lava Jato, Zelotes e Greenfield. A delegada tem 20 anos de experiência na PF e já atuou em grandes operações como a Acrônimo, Perfídia e Quinto do Ouro. Antes de assumir o cargo, Denisse chefiava o Núcleo de Inteligência Policial (NIP) na Superintendência da PF no Distrito Federal.

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A mudança não vai alterar o comando das investigações em andamento. O inquérito que investiga o presidente Michel Temer, por exemplo, continua sob titularidade do delegado Cleyber Malta. O mesmo ocorre com os cerca de 220 conduzidos pelos delegados do SINQ.

O Estado apurou que a direção da PF já começou a procurar delegados para ampliar mais a equipe. O objetivo seria evitar o que ocorre atualmente, com delegados, agentes e analistas tendo que dividir a atuação nos inquéritos de políticos com outros trabalhos. Com a medida, a PF pretende agilizar as investigações e integrar especialistas em casos desse tipo à equipe.

Desde a gestão de Fernando Segovia, demitido por Jungmann, o GINQ era comandado por um delegado indicado pelo cordenador de Combate à Corrupção Josélio Azevedo. O delegado não aceitou proposta para continuar no cargo e será substituído por Márcio Anselmo, responsável pela investigação que deu origem à Lava Jato.

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O entendimento interno na PF é de que como o GINQ é responsável por todos os inquéritos perante o STF e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não só os que envolvem corrupção, ele não pode ficar subordinado à Coordenação de Combate à Corrupção, mas sim à Direção de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DICOR).

Além dessa questão formal, no entendimento de policiais ouvidos pelo Estado, a necessidade do grupo estar atrelado à direção tem por objetivo facilitar a liberação de pessoal e dinheiro necessário para conduzir os inquéritos em andamento.

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No caso da coordenação contra corrupção, a PF também pretende ampliar sua atuação e para isso, a partir de agora, ela passa a se chamar Coordenadoria de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro. Com essa nova formatação, apurou o Estado, o objetivo fazer com a atuação da PF ganha relevância perante os organismos externos e, também, conquiste acento em mesas de discussão sobre o tema.

As coordenações não são responsáveis por conduzir investigações. Elas somente criam, organizam e espalham as diretrizes de atuação da corporação para todas as delegacias da PF espalhadas nos Estados em outros países.

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