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PF e PM em alerta na terra da Lava Jato

Manifestações pró-impeachment e a favor do governo Dilma marcadas para domingo, 13, provocam clima de apreensão em Curitiba, base da força-tarefa que pegou Lula

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

10 Março 2016 | 14h07

Militantes a favor e contra o ex-presidente Lula brigam na avenida Getúlio Vargas, no bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo (SP). Foto: Clayton de Souza/Estadão

Militantes a favor e contra o ex-presidente Lula brigam na avenida Getúlio Vargas, no bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo (SP). Foto: Clayton de Souza/Estadão

A Polícia Federal está alerta com movimentos organizados para insuflar manifestações públicas violentas nas ruas e a publicização de falsas informações para tumultuar as investigações da Operação Lava Jato, que chegou na última semana ao seu ápice ao deflagrar a 24ª fase batizada de Operação Aletheia. Nela, a força-tarefa de procuradores e delegados investiga o envolvimento do maior líder popular do Brasil o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema sistematizado de cartel e corrupção na Petrobrás, mantido por empreiteiros em conluio com partidos da base aliada – em especial, o PT, PMDB e PP.

O setor de inteligência das autoridades de segurança federal e em Curitiba – sede da Lava Jato – identificaram contatos entre grupos organizados para radicalizar as manifestações marcadas para o domingo, 13 de março, contra e em defesa do governo Dilma Rousseff, na capital paranaense.

Na semana passada, ao decretar a necessidade de condução coercitiva de Lula para depor, em São Paulo, o juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato, em Curitiba – considerou os riscos de tumulto e confrontos, com base em informações levantadas pela força-tarefa. Investigadores monitoraram movimentos organizados de enfrentamento às investigações, diante da possibilidade de prisão do ex-presidente. Houve confrontos em mais de um ponto de São Paulo.

Na segunda-feira, 14, está marcado também um depoimento do ex-presidente Lula para o juiz federal Sérgio Moro, em processo em que seu amigo José Carlos Bumlai é réu. O ex-presidente será ouvido como testemunha de defesa do pecuarista em vídeo-conferência. Por uma câmera, o petista falará ao vivo de São Paulo com o juiz da Lava Jato, em Curitiba.

Prevenção. A Polícia Militar do Paraná vai dobrar o efetivo deslocado para a Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, no local, em relação à outras manifestações ocorridas na cidade.

No mesmo local estão marcadas duas manifestações e a maior preocupação é que exista confronto entre os grupos pró-impeachment da presidente e a favor do governo. Uma manifestação para protestar contra o atual governo e contra desvios da Petrobrás está marcada para as 14h. Grupos defensores do PT e da atual administração têm manifestação marcada para as 17h. O primeiro conta com apoio de movimentos ligados PSDB e partidos de oposição. O segundo, contando com a participação de membros do MST e da CUT (Central única dos Trabalhadores).

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O MST e a CUT negam qualquer incitação à violência. A central sindical afirma que a manifestação do dia 13 tem como objetivo a “defesa dos Direitos, da Petrobrás, da Democracia e da Reforma Política”. O movimento é nacional e acontece nas demais capitais brasileiras.

“Conclamamos todas as entidades da CUT e todos os trabalhadores e trabalhadoras CUTistas a participarem das mobilizações do dia 13 de março para defender nossos direitos (não ao PL 4330, retirada imediata das MPs 664 e 665)”, informa Resolução da Direção Nacional da CUT, assinada pelo presidente nacional, Vagner Freitas, e pelo secretário-geral, Sérgio Nobre.

Contra. As manifestações em Curitiba contra o governo Dilma foram organizadas por redes redes sociais, pelos grupos Vem Pra Rua (VPR) e Brasil Livre. Na página do Facebook os eventos ‘Mega Manifestação em Curitiba’ tem mais de 14 mil e 11 mil pessoas confirmadas, respectivamente.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná informou que a PM preparou esquema de segurança especial para para a manifestação com patrulhamento a pé, com motos, viaturas, módulos móveis e helicóptero do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas. Os trabalhos serão coordenados pelo 12º Batalhão. O comandante da unidade, tenente-coronel Antônio Zanatta Neto, afirmou que “será garantido o direto à manifestação, mas inibidos atos de vandalismos e depredação do patrimônio público”.

“Estamos abertos ao diálogo, queremos que seja um ato pacífico sem situações de tumultos, brigas e confusões. A PM vai acompanhar e agir somente se necessário”, afirmou o tenente-coronel Zanatta.

No ano passado, a manifestação realizada no dia 15 de março reuniu cerca de 80 mil pessoas, segundo a PM.

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