PF diz que Cabral acorrentado e algemado segue ‘protocolo de segurança’

PF diz que Cabral acorrentado e algemado segue ‘protocolo de segurança’

Assessoria da direção-geral da Polícia Federal destacou que ex-governador 'não é o caso de um suspeito, mas de um preso sentenciado'

Julia Affonso

20 Janeiro 2018 | 05h06

Sérgio Cabral. 19/01/2018 – Foto: GIULIANO GOMES/PR PRESS

A Polícia Federal informou nesta sexta-feira, 19, que seguiu rigorosamente ‘todos os parâmetros legais’ no procedimento de condução do ex-governador Sérgio Cabral, com as mãos algemadas e os pés acorrentados, em Curitiba.

Segundo a assessoria da Diretoria-Geral da PF, quem define as condições da condução é quem a executa – no caso, os agentes que faziam a escolta do emedebista.

Sérgio Cabral foi submetido a exames no Instituto Médico Legal da capital paranaense, antes de ser transferido para o Complexo Médico-Penal de Pinhais, a prisão da Lava Jato – onde estão alguns dos principais alvos da investigação, como o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari.

A PF destacou que Cabral ‘não é um suspeito, é um preso já sentenciado’. O ex-governador acumula 87 anos de condenação em três processos.

Segundo a PF, a condução do emedebista ‘seguiu todas as observações necessárias para sua efetiva execução’.

A PF avalia que ‘não há nenhum reparo a ser feito’ na forma como o ex-governador foi transferido porque ‘tudo foi realizado dentro dos parâmetros e do protocolo de segurança’.

A assessoria da Diretoria-Geral observa que a cautela é exigida diante do ‘ânimo da população’ – com relação a condenados por corrupção, caso de Cabral.

A PF disse que não pode abrir mão da segurança do próprio prisioneiro em um ambiente público.

Cabral chegou a Curitiba na quinta-feira, 18. Ele foi transferido do Rio por ordem judicial. Os investigadores descobriram que na cadeia pública de Benfica, zona norte da capital fluminense, o emedebista desfrutava de luxos e regalias.

Ele passou a noite na Custódia da Superintendência da PF de Curitiba. Nesta sexta, 19, o ex-governador foi levado ao IML e, depois, para o Complexo de Pinhais.

Algemado e acorrentado, Cabral queixou-se a um agente. “O sr. está me machucando.”

Em 2008, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 11, batizada ‘súmula das algemas’ – medida que autoriza o uso do equipamento exclusivamente ’em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros’.

A PF informou que, no caso do ex-governador, a Súmula 11 não foi desrespeitada. E que a forte escolta se fazia necessária até para assegurar a integridade do prisioneiro.

A Federal anotou que o IML de Curitiba é ‘um ambiente público em um local vulnerável, com fácil aproximação (de pessoas)’.