PF desmonta esquema de corrupção na Hemobrás

PF desmonta esquema de corrupção na Hemobrás

Efetivo de 170 policiais cumpre mandados de buscas e prisões; foram afastados dois diretores da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia em Pernambuco

Andreza Matais, de Brasília, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

09 Dezembro 2015 | 12h13

fabricahemobras

Fábrica da Hemobras. Divulgação

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 9, a Operação Pulso com objetivo de reprimir a atuação de uma organização criminosa especializada em direcionar licitações e desviar recursos públicos da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), em Pernambuco.

Estão sendo cumpridos nos Estados de Pernambuco, Piauí, Paraíba, Minas Gerais e São Paulo 28 mandados de busca e apreensão, além de 29 depoimentos mediante intimações e dois mandados de prisão temporária, expedidos contra empresários com atuação na empresa pública. Também é alvo da Operação Pulso um lobista que age em Pernambuco, Piauí e no exterior.

A PF informou que foi autorizado ainda o afastamento de 3 integrantes da Hemobrás, sendo dois membros da sua Diretoria.


Foram mobilizados 170 policiais federais para cumprir as medidas previstas nesta fase, que recai sobre ilícitos em diversos licitações e contratos de logística de plasma e hemoderivados, bem como na própria obra de construção da fábrica em Goiana, Pernambuco.

A Hemobrás tem a missão de alcançar autonomia tecnológica na produção de medicamentos derivados do sangue necessários para abastecimento de pacientes da rede pública de saúde brasileira. Durante a operação, segundo a PF, percebeu-se que inúmeras amostras de sangue coletado que deveria ser transformado em medicamentos contra a hemofilia e outras doenças deixaram de ser fabricados em virtude de ter sido armazenado de forma inadequada tornando-se inapropriado para a produção dos medicamentos.

Os delitos investigados são peculato, corrupção passiva e ativa, fraude à Lei de Licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA SAÚDE

“O Ministério da Saúde considera inadmissível qualquer uso inadequado e irregular de recursos públicos, sobretudo quando se trata de desvios de verba da saúde, impactando na vida de pacientes e familiares. Até o momento, a pasta não foi notificada da Operação Pulso da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (9). Em todo caso, o Ministério da Saúde está buscando conhecer o objeto da investigação para que, então, possa adotar qualquer medida que seja necessária. Também se coloca à disposição das autoridades policiais para contribuir com as investigações.”

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