Justiça manda prender Pucinelli, ex-governador de MS

Justiça manda prender Pucinelli, ex-governador de MS

PF deflagra quinta fase da Operação Lama Asfáltica; prejuízos acumulados de fraudes em licitações e propinas chegam a R$ 235 milhões

Fabio Serapião, Fausto Macedo e Julia Affonso

14 Novembro 2017 | 07h56

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União e a Receita Federal deflagraram nesta terça-feira, 14, a Operação Papiros de Lama, quinta fase da Lama Asfáltica. Há um mandado de prisão contra o ex-governador do Mato Grosso do Sul André Puccinelli (PMDB).

Delação de fazendeiro levou Puccinelli para a cadeia da Lama Asfáltica

A investigação tem como objetivo desbaratar um esquema que desviou recursos públicos por meio do direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos.


Os prejuízos causados pelo esquema aos cofres públicos, segundo a PF, levando-se em consideração as fraudes e as propinas pagas a integrantes da organização criminosa passam dos R$ 235 milhões. Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro.

Em nota, a PF informou que esta nova fase da investigação decorre da análise dos materiais apreendidos em fases anteriores, cotejados com fiscalizações, exames periciais e diligências investigativas e, ainda, corroborados por depoimentos de colaboradores, os quais participaram do esquema delituoso.

“Este arcabouço probatório permitiu ratificar a linha investigativa adotada pela força-tarefa acerca do modo de atuação da Organização Criminosa”, diz a nota da PF.

“Restaram corroboradas as provas já existentes acerca de desvios e superfaturamentos em obras públicas, direcionamento de licitações, uso de documentos ideologicamente falsos para justificar a continuidade e o aditamento de contratos, aquisição ilícita e irregular de produtos e obras, concessão de créditos tributários direcionados, tudo com a participação de servidores públicos.”

Segundo a PF, os valores repassados a título de propina eram mascarados com diversos tipos de operações simuladas, de forma a dar falsa impressão de licitude ao aumento patrimonial dos integrantes da Organização Criminosa ou de dar maior sustentação financeira aos seus projetos. Uma das novas formas descobertas da lavagem de capitais era a aquisição, sem justificativa plausível, de obras jurídicas, por parte de empresa concessionária de serviço público e direcionamento dos lucros, por interposta pessoa, a integrante do grupo criminoso. Em virtude deste estratagema, a Operação foi batizada de Papiros de Lama.

Estão sendo cumpridos dois (2) Mandados de Prisão Preventiva, dois (2) Mandados de Prisão Temporária, seis (6) Mandados de Condução Coercitiva, 24 Mandados de Busca e Apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas. As medidas estão sendo cumpridas em Campo Grande/MS, Nioaque/MS, Aquidauana/MS e São Paulo/SP, com a participação de mais de 300 Policiais Federais, servidores da CGU e servidores da Receita Federal.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RENÊ SIUFI, DEFENSOR DE ANDRÉ PUCCINELLI

O advogado Renê Siufi, que defende o ex-governador André Puccinelli, reagiu com veemência à versão do delator Ivanildo Miranda, que alegou ter repassado propinas em dinheiro vivo para o peemedebista. “É inconsistente (a delação), ele fala que arrecadou até março de 2015. Nessa época, o André Puccinelli nem era mais governador. Só se ele (Ivanildo, o delator) estava arrecadando para alguém e para ele próprio”, declarou Siufi.

O defensor disse que iria aguardar a audiência de custódia, que deverá ser realizada ainda nesta terça-feira, 14, na Justiça Federal em Campo Grande. “Vamos ver qual o resultado. Se for mantida a ordem de prisão preventiva do governador, aí entramos com pedido de habeas corpus.”

Renê Siufi disse que Puccinelli já foi ouvido três vezes na Polícia Federal sobre os fatos atribuídos a ele na Operação Lama Asfáltica. “Ele (Puccinelli) já falou sobre 90%, os outros 10% são referentes à delação (de Ivanildo Miranda) que é totalmente inconsistente.”

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