PF confisca celular de Marcello Miller

PF confisca celular de Marcello Miller

Aparelho do ex-procurador da República, sob suspeita de agir no interesse da JBS quando ainda exercia o cargo no Ministério Público Federal, foi apreendido durante Operação Bocca nesta segunda, 11, deflagrada por ordem do ministro Edson Fachin

Julia Affonso

12 Setembro 2017 | 13h50

Marcello Miller. Foto: Alex Lanza / MPMG

A Polícia Federal apreendeu o telefone celular do ex-procurador da República Marcello Miller, alvo da Operação Bocca, deflagrada nesta segunda-feira, 11. Miller é suspeito de fazer jogo duplo em favor da J&F enquanto era procurador.

O objetivo dos investigadores é examinar correspondências de Miller por mensagem de texto, WhatsApp, e-mails e outros aplicativos. Peritos federais criminais podem até resgatar comunicações antigas do ex-procurador.

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Agentes fizeram buscas na casa de Miller, no bairro da Lagoa, no Rio, e também nas casas dos empresários Joesley Batista, dono da J&F, do executivo Ricardo Saud, e na sede da empresa, em São Paulo.

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Miller teve a prisão requerida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de quem integrou o gabinete durante três anos. A custódia foi negada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Joesley e Saud estão presos.

O ex-procurador prestou depoimento dia 8 de setembro por mais de 10 horas na Procuradoria Regional da República, no Rio. Miller confirmou ter se reunido com executivos da J&F.

No depoimento, Miller admitiu que viajou a São Paulo para se reunir com Joesley quando ainda exercia o cargo de procurador da República.

Ele disse que a passagem foi paga pelo escritório Trench Watanabe um dia depois de ter apresentado seu pedido de exoneração do Ministério Público Federal, em 23 de fevereiro.

Segundo o ex-procurador, ele participou do almoço o diretor jurídico do Grupo J&F Francisco de Assis e Silva. Depois do almoço, disse Miller, o executivo do grupo Ricardo Saud o acompanhou à residência de Joesley.

Na casa do principal acionista da JBS, Saud teria exibido um documento com proposta de delação premiada. Miller afirma que limitou-se a fazer correções de natureza ‘gramatical’ no texto.

Marcello Miller, no entanto, negou peremptoriamente ter tratado da delação ou auxiliado a empresa no acordo. “Em momento algum fez isso”, afirma o advogado Andre Perecmanis, que defende o ex-procurador.

Segundo Marcello Miller, ele não teve contato com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, desde outubro de 2016. O ex-procurador afirma que estava ‘completamente afastado’ da Operação Lava Jato desde aquele período.

O advogado de Miller deve entregar hoje ao Supremo uma defesa escrita, analisando ponto a ponto as suspeitas que recaem sobre o ex-procurador. Marcello Miller vai abrir mão dos sigilos bancário e fiscal.