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PF apreendeu em apartamento de Lula documentos de sítio em Atibaia

PF apreendeu em apartamento de Lula documentos de sítio em Atibaia

Lista de itens recolhidos em buscas na casa do ex-presidente, em São Bernardo, durante a Operação Aletheia - 24ª da Lava Jato - elencam ainda celulares e carta de Emílio Odebrecht

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso

13 Março 2016 | 16h32

Edifício Hill , em São Bernardo do Campo, onde a Polícia Federal fez buscas em dois apartamentos ocupados pelo ex-presidente Lula

Edifício Hill House, em São Bernardo do Campo, onde a Polícia Federal fez buscas em dois apartamentos ocupados pelo ex-presidente Lula

Na cobertura do Edificio Hill House, em São Bernardo do Campo, onde mora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher, Maria Letícia, a Polícia Federal recolheu documentos de imóvel rural em Atibaia, 9 aparelhos de telefones celular e uma carta com nome impresso Emílio Odebrecht. São alguns dos itens apreendidos na Operação Aletheia – 24ª fase da Lava Jato, deflagrada no dia 4 -, que teve Lula como alvo principal. Ele foi levado coercitivamente para depor, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e o material recolhido em sua casa enviado para Curitiba.

O material está descrito no auto circunstanciado de busca e apreensão da Polícia Federal. No documento consta que no apartamento 121, ocupado pelo ex-presidente Lula, um dos itens recolhidos são de “documentos diversos relacionados a imóvel rural na cidade de Atibaia/SP”.

SITIO DOC NO APE

Lula é investigado pela compra do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, em nome de “laranjas” e que recebeu reformas e equipamentos bancados por empreiteiras do cartel acusado de corrupção na Petrobrás – OAS e Odebrecht – e pelo pecuarista José Carlos Bumlai, preso desde novembro pela Lava Jato.

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Publicamente e na Justiça, o ex-presidente afirmou que o sítio foi comprado pelo amigo Jacó Bittar (PT), ex-prefeito de Campinas, e registrado em nome do filho Fernando Bittar e de seu sócio Jonas Suassuna – ambos também sócios de um dos filhos de Lula. O objetivo seria propiciar as duas famílias, amigas desde a década de 1970, a conviverem após ele deixar a Presidência.

No material apreendido pela PF há também um “pedaço de papelão, extraído de caixa de papelão, com folha colada em sua superfície com os dizeres: ‘CX62, “destino: Sítio”.

O apartamento 121 onde estavam os documentos apreendidos com referência ao sítio de Atibaia é o imóvel que pertence ao primo de Bumlai. Oficialmente Lula é dono do 122, onde também foram recolhidos itens.

odebre

Outro item arrecadado nas buscas é um envelope com etiqueta “Presidente Lula”. Dentro dele “carta com assinatura e data, além do nome impresso ‘Emílio Odebrecht’”.

Telefones. Os agentes da Polícia Federal recolheram ainda na casa do ex-presidente nove telefones celulares. Um dos itens que chamou atenção dos agentes foi um dos aparelhos, modelo STI, com o seguinte registro: “Presidente LULA 000001”.

celular

O ex-presidente afirma publicamente não tem aparelhos de telefone celular. As perícias da PF estão concentradas em Curitiba e a previsão é que os primeiros relatórios comecem a ficar prontos nesta semana.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO EX-PRESIDENTE LULA

No final de fevereiro, a defesa de Lula encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) documento em que ele afirmava que o imóvel em Atibaia foi comprado pelo amigo e ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PT), em 2010, para que as duas famílias pudessem “conviver” e para que ele pudesse “acomodar objetos” recebidos do “povo brasileiro” durante seus dois mandatos. “O ‘Sítio Santa Bárbara’ foi prospectado pelo Sr. Jacó Bittar (amigo do Autor e de sua família mais de 40 anos) no ano de 2010, quando ele tinha o interesse de adquirir um local que pudesse servir para que sua família pudesse conviver com a família do Autor — após este deixar a Presidência dar República – além de outros amigos”, informa a ação cível ordinária, protocolada dia 26 de fevereiro, no STF.

“Havia, ainda, a preocupação de Jacó Bittar de oferecer à família do Autor um local onde pudesse acomodar objetos que o Autor havia recebido o povo brasileiro durante os dois mandatos de Presidente da República.”
A peça é assinada pelos advogados dos escritórios Teixeira, Martins & Advogados – do compadre de Lula Roberto Teixeira – e Nilo Batista e Advogados Associados, defensores do ex-presidente.

“A compra das propriedades imobiliárias em questão envolve apenas particulares. Da mesma forma, eventuais reformas que tenham sido realizadas nessa propriedades também envolveram apenas particulares.”

No documento encaminhado ontem ao STF, a defesa de Lula admite que Bumlai realizou as obras, mas negou participação das empreiteiras e relação com a Petrobrás.

“Jacó Bittar, em virtude de doença, transferiu ao filho Fernando Bittar os recursos de suas aplicações pessoais para adquirir a propriedade. Como o valor não era suficiente para a compra integral do sítio (duas matrículas), Fernando celebrou um contrato particular de compra e venda com o antigo proprietário e tentou, no interregno até a escritura definitiva, vender uma outra propriedade, no município de Manduri (SP).”

Segundo a defesa, como a venda não foi realizada, “Fernando convidou o seu sócio, Jonas Suassuna, a participar da compra, o que foi aceito por este último.”

“O Autor somente soube que Fernando Bittar e Suassuna haviam adquirido o “Sítio Santa Bárbara” em 13 de janeiro de 2011, após ter deixado o cargo de presidente da República”, informa a defesa de Lula.

O ex-presidente, que admitiu frequentar o local, disse que a primeira vez que esteve no local foi no dia 15 de janeiro de 2011.

“Todos os recursos utilizados na compra da propriedade são da titularidade da família Bittar e de Jonas Suassuna e foram pagos em cheques administrativos.

Conta a defesa que quando foi adquirido por Fernando Bittar e Jonas Suassuna, o sítio tinha apenas dois quartos e instalações com alguma precariedade. “Foram realizadas reformas com o objetivo de permitir que os proprietários e a família do Autor pudessem conviver no local e, ainda, que fosse possível acomodar, como já dito, os objetos que o Autor ganhou do povo brasileiro durante a Presidência da República.”

Lula informou à Justiça que “tomou conhecimento de que a reforma foi oferecida pelo Sr. José Carlos Bumlai, amigo da família, enquanto Fernando Bittar comentava sobre a necessidade de algumas adaptações no local”. “Depois, diante de algumas dificuldades técnicas, a obra foi concluída por uma empresa cerca de 50 km do “Sítio Santa Bárbara”.”

Para a defesa, como se vê, não há qualquer ato ilícito”.

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