PF apreende R$ 400 mil em dinheiro vivo com operador da Rizoma

PF apreende R$ 400 mil em dinheiro vivo com operador da Rizoma

Doleiro Edward Gaede Penn está entre os principais alvos da investigação que pegou também o lobista Milton Lyra, ligado ao MDB, e Marcelo Sereno, ex-braço direito de José Dirceu na Casa Civil do governo Lula e ex-secretário nacional de Comunicação do PT

Roberta Pennafort/RIO e Luiz Vassallo

12 Abril 2018 | 17h17

Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal apreendeu R$ 400 mil em dinheiro vivo na casa do doleiro Edward Gaede Penn, que entrou na mira da Operação Rizoma, deflagrada nesta quinta-feira, 12, contra esquema de propinas de R$ 20 milhões envolvendo fundos de pensão dos Correios (Postalis) e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpros). As investigações revelam envolvimento de lobistas supostamente ligados ao PT e ao MDB.

Segundo as investigações, Penn é ligado a Arthur Pinheiro, apontado como cabeça do esquema. Ao deflagrar a RIzoma, o juiz federal da 7ª Vara Criminal do Rio Marcelo Bretas afirmou que ‘Pinheiro realizava, com auxílio do doleiro, ‘operações ilícitas de dólar-cabo invertido, a fim de gerar numerário em espécie no Brasil, com o intuito de repassar montantes aos responsáveis pelo fundos de pensão que, por conseguinte, investiam nas empresas de Arthur’.

Com autorização do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, também foram recolhidos computadores e documentos vinculados aos investigados.

Um dos alvos da operação Rizoma, deflagrada nesta quinta-feira, 12, para apurar crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ligados aos fundos de pensão Postalis e Serpros, é o empresário Milton Lyra, supostamente ligado ao MDB.

Ele já havia sido alvo das operações Pausare, Omertà e Sepsis, é apontado como operador do senador Renan Calheiros(MDB-AL) e é alvo de investigações que estão no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Lava Jato.

A Rizoma foi deflagrada com base na delação de Alessandro Laber. Outros alvos são Marcelo Sereno, ex-assessor do ex-ministro José Dirceu na Casa Civil do governo Lula e ex-secretário nacional de Comunicação do PT, e o empresário Arthur Pinheiro Machado, que foi preso em São Paulo logo no início da ação dos agentes da Polícia Federal nesta quinta, 12.

Segundo Rizoma, o ‘cabeça’ da organização era o empresário Arthur Machado, CEO da Americas Trading Group, e o esquema, que vigora ao menos desde 2011, segundo o Ministério Público Federal, foi descoberto em delação premiada espontânea.

Os investigadores descobriram que ‘o dinheiro gerado pelas práticas criminosas do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) – preso em 2016 – movimentou também este esquema’.

Os doleiros utilizados pelos dois grupos coincidem. Não há indício de que Cabral tenha sido beneficiado por este esquema.

O dinheiro foi lavado não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na China, destacam os investigadores.
A PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.

Outros quatro investigados deverão se entregar, segundo seus advogados informaram à Operação Rizoma.

Os crimes investigados são corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, inclusive fora do País, e crime contra o sistema financeiro.