PF aponta elos da Operação Lava Jato com o narcotráfico

Operação Efeito Dominó, deflagrada nesta terça-feira, 15, prendeu doleiros, um deles delator, que lavavam dinheiro tanto para traficantes como para políticos

Edson Fonseca, especial para O Estado

15 Maio 2018 | 18h44

A Operação Efeito Dominó, desencadeada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira, 15, apontou uma ligação entre envolvidos na Operação Lava Jato e o narcotráfico internacional. Foram cumpridos oito mandados de prisão nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo. Entre os presos está o doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, que trabalhava para outro doleiro, Alberto Youssef, um dos principais personagens da Lava Jato.

A conexão dos doleiros seria com o traficante Luiz Carlos da Rocha, o ‘Cabeça Branca’, preso na Operação Spectrum, em julho de 2017. O ‘Cabeça Branca’ é considerado um dos maiores traficantes do Brasil e tem atuação em diversos países. Ele foi preso em Sorriso (MT) e transferido para o presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

De acordo com o delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, os doleiros atuavam como instituição financeira paralela para os dois lados.

“Pessoas no Brasil precisavam de reais para utilizar na corrupção política e tinham dólares no exterior. Na outra ponta, o traficante precisava de dólares para comprar drogas no exterior e tinha dinheiro disponível no Brasil, que precisava ser lavado. Estes doleiros aproveitavam o fato de estarem exercendo uma atividade legal para lavar o dinheiro do tráfico”, explicou o delegado.

O delegado revela ainda que não há uma estimativa de quanto foi o volume de dinheiro movimentado pelo esquema. Foi apurado que apenas ‘Cabeça Branca’ realizou transações acima de US$ 138 milhões, ou cerca de R$ 500 milhões.

“A Polícia Federal espera obter mais detalhes das operações e dos valores envolvidos a partir das prisões realizadas”, diz o delegado.

O doleiro ‘Ceará’ firmou acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato com o Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

Na delação, o doleiro disse ter entregue dinheiro em espécie para políticos como os senadores Aécio Neves, Fernando Collor de Mello e Renan Calheiros.

Outro doleiro preso nesta operação é Edmundo Gurgel Júnior, que também trabalhou com Youssef e foi investigado na Operação Farol da Colina, envolvendo fraudes no extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado).

“O fato de voltar a praticar crimes pode provocar a anulação do acordo de delação premiada de ‘Ceará’. A comunicação já foi feita ao Ministério Público e caberá ao Supremo decidir se anula o acordo”, explica o delegado.

Os presos na operação desta terça-feira serão transferidos para a Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, para serem interrogados. As acusações são de crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes.