PF adia depoimento do coronel Lima

PF adia depoimento do coronel Lima

Preso na Operação Skala, por suspeita de ligação com esquema de propinas no porto de Santos e arrecadação de recursos ilícitos para o presidente Michel Temer, de quem é amigo, João Baptista Lima Filho alega que 'não tem condições de saúde' para depor

Julia Affonso e Fausto Macedo

30 Março 2018 | 16h11

A Polícia Federal aditou o depoimento do coronel João Baptista Lima Filho, preso na Operação Skala por suspeita de ligação com esquema de propinas no porto de Santos supostamente destinadas ao presidente Michel Temer. A defesa do coronel alegou que ele está ‘sem condições de saúde’ para prestar depoimento.

A defesa do empresário Antônio Celso Grecco entrou nesta sexta no Supremo com pedido de habeas corpus para o dono do Grupo Rodrimar, preso na Operação Skala.

O coronel foi preso na quinta-feira, 29. Alegando mal estar, foi levado para o Hospital Albert Einsten, onde ficou até o início da noite, quando teve alta e a PF o transferiu para exames no Instituto Médico Legal e, depois, para a carceragem no bairro da Lapa.

O interrogatório do coronel iria ocorrer na manhã desta sexta, 30, mas a PF optou primeiro em ouvir a mulher e sócia do amigo de Temer. Agora à tarde, o coronel iria ser ouvido, mas seus advogados alegaram que ele não tem condições de saúde para a audiência.

Na sede da PF em São Paulo, onde se instalou a força-tarefa da Operação Skala, o coronel queixou-se que não tinha condições de depor. Disse que está com problemas severos de saúde. Alegou aos investigadores que ‘não tem condições físicas, nem psicológicas de depor nessas condições’.

Um dos motivos da prisão temporária do coronel é que ele teria se esquivado em pelo menos três ocasiões de depor, sempre alegando problemas de saúde. Quando deflagrou a Operação Skala, o ministro Luís Barroso, do Supremo, mandou prender o coronel Lima.

Na PF, os advogados do amigo do presidente registraram aos investigadpres que ‘futuramente, tão logo reúna conduções físicas, o coronel Lima vai procurar as autoridades e depor espontaneamente’.

Os criminalistas Cristiano Benzota e Maurício Silva Leite informaram à PF que ‘o sr. João Batista Lima Filho nega todas as irregularidades que lhe são atribuídas e, tão logo se recupere dos problemas de saúde, se dispõe a prestar todas as informações às autoridades’.

Os defensores observam que ‘não veem necessidade’ de a prisão temporária por cinco dias do coronel ser convertida em preventiva – sem prazo para expirar. Eles confiam que nos próximos cinco dias o coron ele seja solto. “Aí poderemos conversar com ele, em condições normais.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DO CORONEL LIMA

Os advogados de defesa Cristiano Benzota e Mauricio Silva Leite informam nesta sexta-feira, 30, que o coronel João Batista Lima Filho ‘nega qualquer envolvimento em supostas irregularidades que são objeto de investigação’.

“No momento, não está em condições de prestar depoimento por recomendações médicas, sem prejuízo de prestar futuros esclarecimentos quando apresentar melhora do seu quadro clínico. A sua situação de saúde tem sido reiteradamente informada para as autoridades.”

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