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Petrobrás e presidente da CPI voltam a pedir acesso a delação de Costa

Redação

18 setembro 2014 | 11:25

Estatal afirma que pretende saber quais os funcionários da empresa e companhias com as quais ela ainda pode ter acordos aparecem nas denúncias do ex-diretor

por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A Petrobrás e o presidente da CPI mista que investiga a estatal no Congresso, Vital do Rêgo (PMDB-PB), voltaram a solicitar nesta quinta-feira, 18, acesso aos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa em acordo de delação premiada feita pelo Ministério Público Federal.

No pedido, a estatal afirma que quer apenas acesso aos trechos relativos aos funcionários ou ex-funcionários da empresa e às empresas “com quem mantém (ou manteve) relações comerciais”. O objetivo, segundo a Petrobrás, é apurar eventuais irregularidades.

“O seu objetivo, com a obtenção dessas informações, é promover procedimentos internos para apurar responsabilidades de empregados do passado e do presente, bem como verificar a lisura das empresas por ela contratadas e procedimentos de contratação”, afirma o documento encaminhado à Justiça Federal do Paraná.

Já Vital do Rêgo cita o despacho do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, confirmando que já repassou à comissão as cópias da documentação da Operação Lava Jato, que está sob sua relatoria no Supremo.

No último dia 10, o STF encaminhou à comissão cópias dos documentos da Lava Jato que estão tramitando na Corte. Apenas a parte relativa à delação premiada não foi encaminhada.

Os pedidos ocorrem nove dias após a primeira solicitação feita pela estatal, em resposta a uma manifestação do Ministério Público Federal que considerou que o pedido deveria ser feito ao Supremo Tribunal Federal, responsável pela parte da delação premiada que cita os parlamentares e governadores que têm foro privilegiado.

O pedido do presidente da CPI mista inclui ainda a solicitação para ter acesso aos depoimentos da ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Bonfim Pozza à Justiça e a cópias dos documentos entregues por ela à Justiça.

É a segunda vez, em menos de uma semana, que Vital do Rêgo solicita acesso a documentos da Lava Jato.

Silêncio. Anteontem, Paulo Roberto Costa ficou em silêncio em seu depoimento na CPI mista da Petrobrás no Congresso. Na delação, conforme revelou a imprensa, foram citados nomes de mais de 30 políticos, como o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que faleceu no mês passado. A comissão queria que ele falasse sobre o tema, mas não conseguiu.

Se desse algum detalhe de seu depoimento ao MPF, Costa poderia perder os benefícios da delação premiada, como a diminuição da pena.

Propina. Nesta quinta, o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, citou em uma decisão o pagamento de propina ao ex-diretor da estatal e a políticos feito pelo doleiro Alberto Youssef.

“Relativamente à Alberto Youssef, as medidas investigatórias, em cognição sumária, revelaram seu suposto envolvimento, na condição de líder, de grupo criminoso dedicado à lavagem de dinheiro e a pagamento de vantagens indevidas a ex-diretor da Petrobrás, sem contar pagamentos a dois parlamentares federais”, disse o magistrado em um despacho respondendo às solicitações das defesas dos réus.

A decisão do juiz ocorreu em um dos dez processos que tramitam na Justiça Federal do Paraná como consequência da Operação Lava Jato.

Na delação premiada dada por Costa, conforme foi vazado pela imprensa, também haveria menção a um esquema de pagamento de propinas a políticos utilizando dinheiro de contratos da Petrobrás.

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