Pedro Corrêa é condenado a 20 anos de prisão na Lava Jato

Pedro Corrêa é condenado a 20 anos de prisão na Lava Jato

Ex-deputado do PP, preso na Lava Jato, recebeu R$ 11,7 milhões em propina, segundo sentença do juiz Sérgio Moro

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

29 Outubro 2015 | 13h52

Pedro Corrêa. Foto: Reprodução

Pedro Corrêa. Foto: Reprodução

Atualizada às 16h55

O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) foi condenado nesta quinta-feira, 29, a 20 anos e 7 meses de prisão por crime de corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Em sentença de 92 páginas, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, destacou que Pedro Corrêa tem antecedentes criminais. O ex-parlamentar foi condenado no processo do Mensalão.

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“O mais perturbador em relação a Pedro Correa consiste no fato de que recebeu propina inclusive enquanto estava sendo julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, havendo registro de recebimentos até outubro de 2012”, destacou Moro.

“Nem o julgamento condenatório pela mais Alta Corte do País representou fator inibidor da reiteração criminosa, embora em outro esquema ilícito. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente”, continuou o juiz da Lava Jato.

Também foram condenados o ex-chefe de gabinete do ex-deputado, Ivan Vernon Gomes Torres Junior,  e Rafael Ângulo Lopez, apontado como o ‘faz-tudo’ do doleiro Alberto Youssef. Como fez delação premiada, Rafael Ângulo Lopez cumprirá pena acertada em seu acordo de colaboração.

Sérgio Moro absolveu o filho de Pedro Corrêa, Fábio Correa de Oliveira Andrade Neto, da imputação do crime de lavagem de dinheiro ‘por falta de adequação típica’, e a nora do ex-parlamentar, Márcia Danzi Russo Correa de Oliveira, da imputação do crime de lavagem de dinheiro ‘por falta de prova suficiente de que agiu com dolo’.

O ex-deputado está preso desde 10 de abril, quando foi capturado na 11ª etapa da Operação Lava Jato denominada “A Origem”. A sentença do juiz da Lava Jato atribui a Pedro Corrêa o recebimento de propina de R$ 11,7 milhões, 72 crimes de corrupção passiva, e 328 operações de lavagem de dinheiro.

“A prática do crime corrupção envolveu o recebimento de R$ 11.700.000,00, considerando apenas a parte por ele recebida. Um único crime de corrupção envolveu o recebimento de cerca de R$ 2.034.000,00 em propinas”, assinalou Moro.

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A força-tarefa da Lava Jato acusava sustentava que ele fez articulações para a nomeação de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás – foco de corrupção e propinas na estatal petrolífera entre 2004 e 2014.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALEXANDRE LOPER, QUE DEFENDE PEDRO CORRÊA

“A sentença é fundada em presunções. E ainda que existissem provas que pudessem gerar uma condenação, a imputação de corrupção e lavagem ao mesmo tempo  é vedada pela jurisprudência do STF. Vamos recorrer”, informou o advogado Alexandre Loper.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARLUS ARNS

“Vamos analisar a sentença após sermos intimados”, afirmou Marlus Arns, advogado que defende Ivan Vernon.