Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato, já pode sair de casa

Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato, já pode sair de casa

Um ano depois de revelar esquema de propinas na Petrobrás e denunciar deputados e senadores beneficiários da corrupção, ex-diretor passa para regime semiaberto, mas ainda com algumas restrições, como uso da tornozeleira eletrônica

Fausto Macedo e Julia Affonso

07 Outubro 2015 | 23h19

Costa é o primeiro delator da Lava Jato. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Costa é o primeiro delator da Lava Jato. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa saiu do regime de prisão domiciliar. Um ano depois de fechar acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, ele pode agora passar o dia fora, mas ainda sob monitoramento de tornozeleira eletrônica e com a obrigação de dormir em casa.

A mudança de regime estava prevista no contrato firmado com o Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – instância que conduz a Lava Jato no âmbito de políticos com foro privilegiado denunciados por Paulo Roberto Costa.

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O advogado João Mestieri, que defende o ex-diretor da Petrobrás, destacou que ele deve cumprir horários rígidos – seu retorno ao lar tem que ocorrer até as 20 horas. Nos fins de semana Costa tem de ficar em casa.

O ex-diretor assumiu o cargo estratégico na estatal em 2004, por indicação do PP. Ele revelou que outros partidos, como o PT e o PMDB, assumiram o controle de outras áreas da Petrobrás. Costa citou 28 deputados e senadores supostamente beneficiários da corrupção que se instalou na estatal petrolífera. A delação premiada lhe garantiu, inicialmente, em outubro de 2014, a prisão domiciliar.

“Agora, Paulo Roberto Costa mudou de regime. Ele está em um semiaberto diferenciado”, declarou o advogado João Mestieri. “Continua com a tornozeleira e tem que dormir em casa. Ele está liberado para atividades profissionais, mas quanto a isso ainda não sei se ele vai exercer.” Mestieri anotou que a partir de outubro de 2016 o ex-diretor ganhará o regime aberto.