Patrimônio de novo delator da Lava Jato cresceu 97 vezes em 10 anos

Segundo documento da PF, o executivo Luis Eduardo Barbosa tinha R$ 517 mil em 2003, valor que saltou para R$ 50 milhões em 2013

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Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

10 Janeiro 2016 | 12h00

Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, novo delator da Lava Jato. Foto: Reprodução

Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, novo delator da Lava Jato. Foto: Reprodução

O patrimônio do empresário Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, novo delator da Operação Lava Jato, cresceu 97 vezes em 10 anos, afirma a Receita em laudo da Polícia Federal. Segundo o documento, o executivo tinha R$ 517 mil em 2003, valor que saltou para R$ 50 milhões em 2013. Luis Eduardo Barbosa é sócio do operador da SBM Julio Faerman – outro delator do esquema de corrupção na Petrobrás – na empresa Oildrive Consultoria em Energia e Petróleo e ex-funcionário da Asea Brown Boveri (ABB).

Segundo a Polícia Federal, Luis Eduardo ‘agiu como operador financeiro em favor das empresas Alusa, Rolls Royce e SBM. “A Receita Federal também fez um pente-fino nas contas de Luis Eduardo. Ele é um dos sócios da Oildrive Consultoria, uma das representantes da multinacional holandesa SBM Offshore, suspeita de pagar propinas em troca de contratos na Petrobrás. Ele tinha R$ 517 mil em 2013, valor que saltou para R$ 50 milhões em 2013, evoluindo 97 vezes”, relatou laudo da PF.

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Trecho do laudo da Polícia Federal

Segundo os investigadores, as empresas ligadas a Luis Eduardo Barbosa serviriam como instrumento para que, a partir da celebração de contratos fraudulentos e da emissão de notas fiscais inidôneas, as empreiteiras efetuassem pagamentos de propina a agentes públicos e privados, inclusive a empregados públicos ligados à Petrobrás.

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As investigações chegaram a Luis Eduardo por meio da delação premiada do ex-gerente executivo da Petrobrás Pedro Barusco. Segundo o delator, Julio Faerman e Luis Eduardo eram chamados de ‘Batman e Robin’, respectivamente, por andarem sempre juntos. A delação de Julio Faerman foi homologada pela Justiça em agosto de 2015.

Em dezembro do ano passado, Luis Eduardo, Julio Faerman e outros 10 investigados foram denunciados pelo Ministério Público Federal por envolvimento no esquema de pagamento de US$ 42 milhões em propinas entre 1997 e 2012 por meio de contratos de aluguel de navios-plataforma da empresa holandesa SBM Offshore.

Quando a delação premiada do executivo Luis Eduardo Barbosa foi divulgada, o advogado que o representa e a Alumini (antiga Alusa Engenharia) se manifestaram desta forma:

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTÔNIO SÉRGIO MORAES PITOMBO, QUE DEFENDE LUIS EDUARDO BARBOSA

O criminalista Antônio Sérgio Moraes Pitombo, que defende Luís Eduardo Barbosa, não pôde se manifestar sobre a delação. ” Não posso falar nada sobre o acordo de colaboração porque ele está sob sigilo. Eu assinei o acordo, então, em hipótese alguma eu posso comentar qualquer detalhe.”

COM A PALAVRA, A ALUMINI (ANTIGA ALUSA ENGENHARIA)

Sobre a suposta delação do Sr. Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, cabe esclarecer que ele jamais foi “operador financeiro” da Alumini (antiga Alusa Engenharia), conforme o seu próprio depoimento destacado na reportagem. O Sr. Luis Eduardo atuou de forma absolutamente lícita e transparente como representante comercial da empresa e prestador de serviço de consultoria de projetos. A Alumini, mais uma vez, refuta completamente a afirmação de que tenha recebido qualquer tipo de informação privilegiada. Isso nunca aconteceu. O próprio ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, em seu depoimento à CGU e em sua delação premiada, reiterou que não houve informação privilegiada para a empresa. As informações às quais a reportagem se refere, sobre a estimativa de preço do contrato, eram de conhecimento público e de todos os participantes do certame.

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