Para Suíça, Eduardo Cunha é “eminente membro do PMDB”

Para Suíça, Eduardo Cunha é “eminente membro do PMDB”

Relatório da Procuradoria Pública Federal de Berna enviado ao Brasil atribui corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao presidente da Câmara e diz que ele recebeu 'produtos criminosos'; leia a íntegra do documento

Fausto Macedo, Fabio Fabrini, Andreza Matais e Ricardo Brandt

26 Outubro 2015 | 05h00

Eduardo Cunha. Foto: Reuters

Eduardo Cunha. Foto: Reuters

Relatório da Procuradoria Pública Federal de Berna – 15 páginas subscritas pelo procurador Stefan Lenz – classifica o presidente da Câmara Eduardo Cunha como ‘membro eminente do PMDB’. O documento, que dá base para as investigações do Ministério Público Federal brasileiro contra o parlamentar,cita um suposto lobista do partido na Diretoria Internacional da Petrobrás, João Augusto Henriques.

Documento

Alvo da Operação Lava Jato, Henriques foi o canal de dinheiro ilícito para contas atribuídas a Eduardo Cunha. Segundo o procurador suíço, Henriques ‘reconheceu já em 2013, que, para contratações com a Petrobrás, teriam sido exigidas propinas e que as mesmas teriam sido transferidas a deputados do PMDB ou usadas para financiar campanhas políticas’.


” Portanto, existe a suspeita que, em relação aos montantes transferidos de Henriques, através de sua (conta) ACONA, a Eduardo Cunha, também se trata de pagamentos de propinas a um membro eminente do PMDB”, assinala o relatório. “Por esta razão a Procuradoria Federal acrescentou à investigação penal por suspeita de lavagem de dinheiro contra Cunha, com mandado de 18 de agosto de 2015, o fato da corrupção (passiva) de funcionários alheios.”

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Ao relatório foram anexados documentos bancários. Assim descritos. “Dos demais documentos bancários, levantados na Suíça em relação a Cunha, consta que, nomeadamente nas relações mantidas no Merrill Lynch International (provavelmente EUA) foram detectados vários pagamentos e transferências de títulos a favor das contas e dos depósitos de títulos (em nome de ORION e TRIUMPH), mantidos por Cunha na Suíça.”

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Segundo Stefan Lens, a Procuradoria Federal não conseguiu esclarecer a origem exata destes demais ativos e o fundo econômico destas transações. “Mesmo assim, na base das constatações supramencionadas e em razão destes recebimentos, incompatíveis com a função de Cunha como Presidente da Cêmera dos Deputados, existe uma suspeita inicial suficiente que, também em relação a estas transações efetuadas para Cunha, trata-se de produtos criminosos.”

O relatório sustenta que existe ‘uma forte suspeita’ que os pagamentos efetuados às contas de Eduardo Cunha são pagamentos de propina. “Cunha é culpado também da lavagem de dinheiro.” Neste relatório, a Suíça informa sobre a apreensão de ativos de Eduardo Cunha – no total convertido de CHF (francos suíços) 2.243.555,81 em nome da sua Netherton Investments Pte. Ltd, com a conta 486752 no banco Julius Bar. Da mesma forma, a Suíça apreendeu os ativos da conta numerária “45478512 Kopek” – em 30 de junho de 2015 constando um saldo de CHF 140.383,45 – em nome de Claudia Cordeiro Cruz, ‘esposa do acusado’. Estes recursos foram transferidos anteriormente da Acona à Orion, depois desta à Netherton e, em 4 de agosto de 2014, da Netherton à conta numerária de Cláudia, em um valor de. US$ 165 mil. Eduardo Cunha negou ter recebido propinas do esquema de corrupção instalado na Petrobrás. O PMDB afirma que nunca autorizou ninguém a arrecadar recursos ilícitos.

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