Para delegado da PF, houve ‘quebra de confiança’ no caso do bombom

Para delegado da PF, houve ‘quebra de confiança’ no caso do bombom

Instituição afirma que faxineira V., que comeu guloseima do corregedor em Roraima, não foi autuada em flagrante, mas apenas prestou depoimento

Julia Affonso

15 Outubro 2015 | 09h00

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal informou nesta quarta-feira, 14, que a faxineira V. não foi autuada em flagrante e nem detida por comer o bombom do corregedor da instituição em Roraima, delegado Agostinho Cascardo. Em nota, a corporação destacou que também não foi aberto inquérito contra V. Segundo a PF, ela apenas prestou depoimento.

A faxineira comeu o bombom do delegado no dia 30 de setembro. Câmeras de segurança interna do prédio da PF, em Boa Vista, registraram o momento em que a faxineira comia a guloseima do delegado Cascardo.

“Nos últimos meses, foi verificado o desaparecimento de objetos e dinheiro nas instalações da PF em Boa Vista”, informa a PF. “Embora esses fatos já estejam sendo investigados, houve reforço na segurança corporativa do prédio com a instalação de novas câmeras em locais estratégicos, entre elas, a do Corregedor Regional, uma das áreas mais sensíveis do imóvel, uma vez que concentra apurações de assuntos internos. Neste local, foi captada imagem, em vídeo, da subtração do bem, sem a devida autorização.”


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Por meio de sua Assessoria de Comunicação Social, a Polícia Federal esclareceu. “Embora de valor econômico irrisório (chocolate), o Corregedor entendeu que houve quebra de confiança e noticiou o fato ao delegado de plantão, que decidiu ouvir a zeladora em termo de declarações. Para que não houvesse conflito de interesses no caso, o termo foi encaminhado ao Corregedor Substituto, que concluiu pela atipicidade material dos fatos, ou seja, que o fato não se tratava de crime.”

A faxineira afirma que ia contar ao delegado que havia comido a guloseima. “Até hoje eu me perguntou: ‘Que burrada que eu fiz?’”, diz sobre o bombom da discórdia.

A Polícia Federal reiterou que não abriu inquérito policial ‘ou qualquer outro procedimento investigativo sobre os fatos ocorridos nas dependências do órgão’. “Nesse sentido, informa também que não houve prisão em flagrante, autuação em flagrante ou mesmo detenção de qualquer pessoa.”

 

Segundo a PF, o depoimento de V., com o parecer do Corregedor Substituto, foram encaminhados ao Ministério Público Federal, ‘que exerce a função de controle externo da atividade policial’.

“A PF ressalta que o Corregedor em Roraima apenas noticiou o fato ao delegado de plantão, agindo de forma regular com os normativos internos”, assinala a instituição.

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