Palocci fez conjunto de simulações, diz Lula

Palocci fez conjunto de simulações, diz Lula

Ex-presidente atacou depoimento em que ex-ministro que confessou ter integrado esquema de corrupção envolvendo a Odebrecht e intermediado vantagens indevidas em interrogatório ao juiz federal Sérgio Moro

Eduardo Laguna, Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo, Elisa Clavery e Ricardo Galhardo

13 Setembro 2017 | 21h46

Lula. Foto: Reprodução

SÃO PAULO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou Antonio Palocci, ministro da Fazenda de seu governo, de “simulador” durante depoimento prestado nesta quarta-feira ao juiz federal Sergio Moro.

Segundo Lula, Palocci se preparou para cumprir um “ritual” no interrogatório feito por Moro na semana passada, com o objetivo de reduzir sua pena e conseguir a liberação de recursos bloqueados pela Justiça. O ex-presidente disse ainda lamentar o que classificou de “serviço pequeno” prestado por Palocci, acrescentando não ter raiva, mas sim pena pela forma como o ex-ministro encerra uma “carreira tão brilhante”.

“Fico pensando o que está pensando a mãe dele agora, que é militante e fundadora do PT. Fico imaginando como estão as pessoas que militavam com ele no PT. É lamentável. Eu, sinceramente, não tenho raiva do Palocci, tenho pena de ele ter terminado uma carreira tão brilhante como ele terminou”, declarou Lula.


O ex-presidente afirmou que, por conhecer como Palocci reage em situações adversas, sabe que o ex-ministro foi até Moro para entregar um conjunto de simulações.

“Já vi Palocci em situações difíceis na área econômica. O Palocci veio preparado para dizer que havia um fundo que eu sabia, para dizer que o doutor Emilio [Odebrecht] tinha me procurado para conversar, para dizer que eu chamei ele para conversar para bloquear a Justiça”, disse Lula.  “Foi um conjunto de simulações que o Palocci fez. Por isso, utilizei a palavra simulador”, concluiu.

Segundo o Ministério Público Federal os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal.

O montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.

 

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