Pagamento a políticos é prova de corrupção na Petrobrás, afirma delator

Paulo Roberto Costa diz que o fato de vários deputados e senadores terem recebido recursos mostra que "o esquema era uma realidade"

Redação

12 Fevereiro 2015 | 18h58

Por Andreza Matais, de Brasília, e Ricardo Brandt, de Curitiba

Delator do esquema de corrupção na Petrobrás, o ex-diretor da petroleira Paulo Roberto Costa afirmou que “o fato de vários deputados e senadores terem recebido recursos e dele mesmo ter sido beneficiado é uma prova concreta de que o esquema era uma realidade.”  Conforme o ex-diretor, os repasses são a “prova da existência da verba de uso político e do repasse a parlamentares.” As informações de Paulo Roberto no processo da Operação Lava Jato implicaram ao menos 28 políticos do PT, PMDB e PP e as próprias estruturas partidárias.

Essas siglas deram sustentação política para o delator comandar a diretoria de Abastecimento da Petrobrás por quase oito anos, nos governos Lula e Dilma Rousseff, do PT. Em troca, segundo Paulo Roberto, recebiam um porcentual sobre os contratos assinados na sua área.

“Acerca da ingerência política na empresa, refere que em vista da sustentação política governamental alguns cargos junto a estatais, dentre elas a Petrobrás, são liberados para a indicação pelos partidos que compõem a base aliada”, afirmou, em depoimento no dia 15 de setembro do ano passado.

Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

Paulo Roberto Costa. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

Segundo o delator, sua “indicação e permanência no cargo estava relacionada ao PT, PP e ao PMDB.”  O dinheiro da propina era distribuído para parlamentares e partidos. O PT e o PMDB, afirmou Paulo Roberto, também lhe pediram recursos para a campanha eleitoral de 2010. No depoimento, ele não especificou se era para a eleição presidencial (a petista Dilma Rousseff foi eleita para seu primeiro mandato neste ano) ou estadual.

“Os parlamentares do PP, de regra, não lhe faziam solicitações de recursos a fim de que levasse o pleito às empreiteiras, tendo recebido, entretanto, solicitações do PT e PMDB para a campanha de 2010.”

Paulo Roberto também revelou que o PT e o PMDB recebiam a propina sem qualquer “desconto.” Ao contrário do que era repassado para o PP. Do valor pago pelas empreiteiras em troca dos contratos, 60% era destinado ao PP, 20% destinado aos custos (como a emissão de notas fiscais frias), e os outros 20% eram divididos entre o ex-diretor e o doleiro Alberto Youssef. “No caso de recursos destinados a outros partidos, o repasse era feito sem a cobrança de comissão, apenas ressarcimento de gastos.”

As principais diretorias da empresa eram controladas pelo PT: Serviços (responsável por grandes investimentos, superiores a R$ 20 milhões), Exploração e Produção (maior orçamento da Petrobrás) e Gás e Energia eram controladas pelo PT. “Todos os valores a título de sobrepreço eram destinados ao PT, competindo a Renato Duque (ex-diretor de Serviços) a alocação desse montante conforme as orientações e pedidos que recebesse do PT.” O PMDB tinha a Diretoria Internacional e o PP, a de Abastecimento.

No mesmo depoimento, Paulo Roberto também afirmou que o tesoureiro do PT, João Vaccari, tinha “frequentes reuniões” com Renato Duque, mas que não saberia dizer de forma assertiva os detalhes sobre como o dinheiro desviado chegava ao partido do governo. Em depoimento à Operação My Way (nona fase da Lava Jato), Vaccari afirmou que se reuniu com Duque num hotel do Rio de Janeiro algumas vezes, mas os relatou como encontros sociais.