Os R$ 7 milhões para ‘Caranguejo’, codinome de Eduardo Cunha

Os R$ 7 milhões para ‘Caranguejo’, codinome de Eduardo Cunha

Ex-executivo da Odebrecht responsável pelo contato da empresa com políticos em Brasília diz que pagamentos para ex-presidente da Câmara era por sua influência com demais parlamentares e por negócios na área de energia; delator listou em anexo de acordo com a Lava Jato datas de entregas de valores

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fábio Serapião e Mateus Coutinho

10 Dezembro 2016 | 15h30

Eduardo Cunha fez exames no IML, após ser preso na Lava Jato. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Eduardo Cunha fez exames no IML, após ser preso na Lava Jato. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O delator da Odebrecht Claudio Melo Filho cita em seu anexo entregue à força-tarefa da Operação Lava Jato que o deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu R$ 7 milhões da empreiteira, pela influência que tinha entre parlamentares da Câmara dos Deputados.

“Em 2010, pela importância política que o então deputado possuía, a empresa aprovou o valor estima de R$ 7 milhões. Esses valores constam expressamente nas planilhas como supostamente destinados à campanha eleitoral, identificado pela expressão ‘CP-Braskem’ e também a Benedicto Junior”, afirmou Claudio Melo, que foi vice-presidente Institucional da Odebrecht, servindo de elo do grupo com políticos, em Brasília.


Eduardo Cunha está preso, em Curitiba, desde o dia 19 de outubro, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato em primeira instância. Ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro em negócios de compra de campos de exploração de petróleo em Benin, na África.

“Entreguei algumas vezes senhas a Eduardo Cunha quando solicitado pela área de operações estruturas, mas o pedido de pagamento não endereçado por Eduardo Cunha a mim”, explicou o delator, que listou no anexo os valores e datas de entregas.

cunha

Claudio Melo disse que seu trânsito maior era com a bancada de senadores do PMDB, mas que também mantinha reuniões com Cunha, em especial para discutir temas de interesse da Odebrecht no setor de energia.

EDUARDO CUNHA CARANGUEIJO

EDUARDO CUNHA CARANGUEJO

“Nas vezes em que conversava com o deputado sobre temas da empresa, era sempre atendido com presteza e educação. As reuniões se deram no gabinete da liderança do PMDB, que fica em frente ao Salão Verde, em uma sala no final do corredor das lideranças.”

Cunha é réu em um processo aberto por Moro em Curitiba. As revelações da Odebrecht, que ainda serão transformadas em termos de delação e precisarão ser homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), servirão para a abertura de novos inquéritos contra os citados.

“Entendi que essa era uma forma de reconhecimento pela relação deste com a Odebrecht, pois ele sabia que receberia pagamentos a pretexto de contribuição de campanha.”