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‘Os meus delatores enriqueceram’, protesta Dirceu

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‘Os meus delatores enriqueceram’, protesta Dirceu

Ao final do interrogatório a que foi submetido na sexta-feira, 29, ex-ministro chefe da Casa Civil pediu liberdade e disse ao juiz da Lava Jato que 'não consegue aceitar sua prisão e virar chefe de quadrilha pela segunda vez'

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Fausto Macedo e Ricardo Brandt

01 Fevereiro 2016 | 19h24

José Dirceu chega para seu interrogatório na Lava Jato na sexta-feira (29). Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

José Dirceu chega para seu interrogatório na Lava Jato na sexta-feira (29). Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Ao final do longo interrogatório a que foi submetido na sexta-feira, 29, pelo juiz federal Sérgio Moro, o ex-ministro chefe da Casa Civil ‘pediu vênia’ para fazer um desabafo e um apelo. Ele criticou duramente seus delatores – o lobista Milton Pascowitch, o empresário ligado ao PT Fernando Moura e o operador de propinas Júlio Camargo.

“Aprovamos esse instituto (da delação premiada) no Congresso, o Poder Judiciário tem que executar, buscas seus objetivos. Agora, os meus delatores vão levar à degradação da delação premiada. Eles enriqueceram, o sr. Fernando Moura se contradiz, não só em relação a meu respeito, mas sobre outros também. Júlio Camargo e Milton Pascowitch a mesma coisa.”

“Eu estou sendo exposto para a sociedade com base em delação premiada. As provas que existam de algo que comprei não vou negar, transferências, posso ter errado. Mas não escondi isso, não coloquei na minha declaração (ao imposto de renda). Mas não é dinheiro da Petrobrás. Ninguém da Petrobrás, nem o sr. Júlio Camargo, nem Fernando Moura afirmam isso. Quem afirma é Milton Pascowitch, ele é que tem os R$ 80 milhões, não sou eu. De boa fé eu errei, estou pagando por isso agora, mas não quer dizer que sou chefe de organização criminosa, que eu enriqueci. Já passei pela Ação Penal 470 (Mensalão), fui absolvido do crime de quadrilha, condenado por corrupção ativa. Inconformado eu cumpri a pena e saí no regime aberto. Seria indultado dia 25 de dezembro e sairia em liberdade condicional dia 6 de fevereiro (de 2016). Quero refutar as delações premiadas ( que o atingem), para mim elas são imprestáveis, eles (delatores) se contradizem, eles não têm provas.”

“Peço vênia ao sr, passei meses (está preso desde 3 de agosto na Operação Lava Jato), quero reafirmar alguns pontos. Primeiro, não consigo aceitar a minha prisão, dr. Moro. Eu sei que tenho que obedecer a lei, obedeci, estou preso, tenho bom comportamento, estou remindo (trabalhando na prisão para reduzir a pena). Eu estava no regime aberto em Brasília, domiciliar (ação do Mensalão), estou sempre à disposição da Justiça. Vou assumir o que tiver que assumir. O que eu não posso é pela segunda vez virar chefe de quadrilha, como eu já estou virando de novo no País, que eu enriqueci. Quero reiterar (pedido), responder em liberdade.”

Dirceu afirmou ao juiz Moro que ‘não obstrui a Justiça’. “Eu ofereci meu sigilo telemático e telefônico porque eu não tenho o que esconder. O que eu tiver que responder vou cumprir sempre.”

Ele afirmou ao juiz da Lava Jato. “Eu não vou fugir do País. Voltei seis vezes para o País durante a ditadura, entrava armado, com passaporte falso. Eu vou responder se a Justiça do meu País me condenar pela segunda vez. Eu vou cumprir, o que eu vou fazer? Eu não vou obstruir a Justiça, não vou deixar de assumir.”

Dirceu saiu em defesa do PT, do ex-presidente Lula e do ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. “Todas as doações (ao PT) foram legais.”

“Mas isso não é objeto desta ação penal”, cortou o juiz Sérgio Moro, encerrando a audiência.

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