Os bondes da criminalidade no Rio descarrilaram!

Valquiria Souza Teixeira de Andrade*

24 Setembro 2017 | 05h00

Como um desastre de bondes a facção criminosa ADA colidiu com seus membros, e agora com esse descarrilamento?

Embora os trilhos das quatro facções eram trafegadas por cada uma, desde que o bonde do PCC passou a trafegar no Rio de Janeiro, havia previsão de colisão.

Porém, a princípio, não se esperava que fosse com bondes de uma mesma facção que ocorreria colisão. Com a demissão de Rogério 157 condutor dos bondes do mestre, Antônio Francisco Bonfim Lopes (Nem), resultou no choque entre os bondes da ADA. O freio de emergência foi acionado por Rogério 157, que começou a cantar a marchinha de carnaval “daqui não saio, daqui ninguém me tira “.

Mas já se pensou que logo, logo os bondes da ADA passarão a ser conduzidos e controlados pelo PCC?
Será que o PCC está aproveitando da situação ao se unir com os amigos dos amigos para posteriormente expandir seus bondes e trilhos em solo carioca, será?

O cenário dos bondes da criminalidades está cada vez mais ousado, sobretudo com a desenvoltura, robustez e estratégias organizadas dos trilhos utilizadas pela facção do PCC.

O Rio de Janeiro onde trilhavam somente bondes das facções do Comando Vermelho, ADA, terceiro comando puro e das milícias, os quais se uniam para impedir a possibilidade de bondes do PCC trilharem em território carioca, hoje acontece uma abertura, em razão de Rogério 157 não ter seguido regras da ADA.

Mas deixaram de perceber que no momento de vulnerabilidade bondes do PCC se fariam presentes, independente qual seria o motivo?

Com o assassinato de Jorge Rafaat Toumani, intitulado por rei do tráfico na fronteira, o comando vermelho e outras facções criminosas ficaram em alerta no sentido de impedir o domínio do PCC não só no Brasil, mas também nos países vizinhos.

Os bondes do PCC já têm trilhos e trafegam com certa tranquilidade em todo Brasil, bem assim nos presídios brasileiros, então o problema não são os bondes de facções no Rio de Janeiro e sim os bondes da criminalidade em todo Brasil.

A solução emergencial seria transferir os condutores dos bondes e controladores às Penitenciárias federais? Onde, também, há bonde do PCC, porém seus condutores e controladores são destituídos de qualquer poder e se enfraquecem, o que não sucede nos diversos prédios estaduais, fator impeditivo de desarticulação.

Sim, mais uma vez, verifica-se que as Penitenciárias federais têm desenvolvido seus trabalhos, mas sozinhos esses estabelecimentos prisionais não são suficientes, digo e repito enquanto não houver uma política pública nacional de segurança penitenciária com trabalhos de segurança, inteligência e coordenados, com obrigação de todos presídios estaduais seguirem e executarem os trabalhos de forma uníssona, poucas serão as chances de haver êxito.

*Professora da UNIP/Brasília
Delegada de Polícia Federal, aposentada
Ex-Diretora do Sistema Penitenciário Federal

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