Os 25 depoimentos do delator de Beto Richa

Leia tudo o que disse o empresário Eduardo Lopes de Souza, dono da Construtora Valor e alvo da Operação Quadro Negro, que, em colalaboração premiada, afirma ter pago propinas milionárias para ter a primazia de contratos de construção e reformas de escolas na gestão do tucano que governa o Paraná

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fábio Serapião

03 Setembro 2017 | 05h00

O empresário Eduardo Lopes de Souza, dono da Construtora Valor e alvo da Operação Quadro  Negro, fez 25 depoimentos em delação premiada à Procuradoria-Geral da República. Suas revelações apontam para o governador do Paraná Beto Richa (PSDB), cuja administração teria sido contemplada com propinas milionárias, e também para o ministro Ricardo Barros, da Saúde.  A delação do empresário foi obtida pela reportagem da RPC (afiliada da TV Globo) no Paraná e confirmada pelo Estadão.

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COM A PALAVRA, BETO RICHA

“O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

O governador lembra ainda que foi a própria Secretaria de Estado da Educação que, em abril de 2015, detectou disparidades em medições de algumas obras de escolas e abriu auditoria interna sobre o caso. De imediato, o governador determinou a demissão de todos os envolvidos. As informações levantadas internamente também foram repassadas à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado para que tomassem as medidas cabíveis. É importante salientar ainda que a Polícia Civil do Paraná investigou e prendeu os suspeitos na denominada Operação Quadro Negro, a qual jamais teve qualquer tipo de informação antecipada.

Cabe lembrar ainda que, conforme despacho do govenador Beto Richa, a construtora Valor e seus responsáveis foram punidos administrativamente pelo Governo do Estado. Nesse despacho do governador, a empresa foi declarada inidônea para participar de licitações com a administração púbica e foi aplicada uma multa de R$ 2.108.609,84.

Seguindo determinação do governador, a Procuradoria Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1.ª, 4.ª e 5.ª Varas da Fazenda Publica por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos.

Ou seja, todas as medidas cabíveis foram tomadas para reparação e ressarcimento do erário público e punição dos envolvidos”.