Operadores de propinas da Odebrecht também tinham codinomes

Operadores de propinas da Odebrecht também tinham codinomes

Paulistinha, Carioquinha, Kibe, Esfirra, Dragão eram apelidos usados para identificar em sistema de mensagens cifradas doleiros, operadores financeiros e lobistas que cuidavam de repasses da corrupção

Ricardo Brandt, Fábio Serapião, Fausto Macedo e Julia Affonso

12 Dezembro 2016 | 05h05

EMAIL DEP PROPINA PRESTADORES 2 (ANEXO 2)

A Odebrecht montou um esquema de codinomes, senhas e mensagens cifradas para tentar ocultar os verdadeiros envolvidos nos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Da mesma forma que os políticos tinham codinomes, como “Justiça”, para identificar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), “Caranguejo”, ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cada “prestador de serviço” tinha uma conta nomeada por um apelido.

Nas planilhas e no sistema de comunicação do “setor da propina” foram encontras contas em nome de “Paulistinha”, “Carioquinha”, NOB, “CXSSAR”, Sevenmp”, “Tonico”, entre outros.
Uma das principais contas, em volume de recursos, é a “Paulistinha” e “Carioquinha”, que seriam referências a Álvaro Novis, da Hoya Corretora.

Outro operador fixo da Odebrecht era o lobista Adir Assad e seu irmão Samir. Eles eram identificados nas planilhas da propina como “Operação Kibe e Esfirra”. Além de disponibilizar recursos, forneciam contratos e notas de suas empresas fantasmas para operacionalizar os repasses.

Os operadores estão entre os nomes citados no acordo de delação premiada da Odebrecht. Os executivos confessarão que esses “prestadores de serviços” eram responsáveis por gerar dinheiro vivo ou para dissimular a origem de transferências em contas secretas (em nome de offshores) fora do Brasil.

AS OFFSHORES DA ODEBRECHT (ANEXO 3)

OS CAIXAS DA PROPINA DA ODEBRECHT

Com elevado volume de propina paga em obras públicas pela Odebrecht, em locais de pagamento diversos, o Setor de Operações Estruturadas – chamado de departamento da propina – mantinha parceria com uma rede de prestadores de serviços, doleiros e operadores financeiros, que atuavam no exterior e no Rio de Janeiro, em São Paulo, Porto Alegre, Recife

OS PRESTADORES DE SERVIÇOS

Alváro José Galliez Novis – contas Paulistinha e Carioquinha
Anotações da secretária Maria Lúcia, a conta “Carioquinha” é gerida pela Hoya Corretora de Valores. O contato era feito diretamente com Álvaro Novis, diretor da corretora. Ele é sobrinho de Álvaro Pereira Novis, ex-dirigente da Odebrecht

Antonio Cláudio Albernaz Cordeiro – conta “Tonico”
Foi mencionado em julgamento de crime de evasão de divisas, constando como o responsável por offshore constituída no Panamá. Era, segundo Maria Lúcia, fornecedor de dinheiro em Porto Alegre (RS)

Mônaco Câmbio e Turismo – conta “Madeira”
Anotação no caderno da secretária Maria Lúcia vincula os nomes “Madeira”, “Carlos” e “Leite”, bem como nome da Mônaco Câmbio e Turismo, localizada em Recife (PE)

Rodrigo Tacla Duran
Advogado responsável por operar empresas de fachada que vendiam notas fiscais no Brasil e operador de uma das camadas de offshore utilizadas pela Odebrecht no exterior. Era o elo entre os operadores da Odebrecht e os doleiros e prestadores do Brasil

Wu Yu Sheng – Operação Dragão
Segundo delator Vinicius Borin, do banco da propina da Odebrecht, Wu Yu era um operador ligado a Rodrigo Tacla Duran. Quando a empresa precisava de dinheiro em espécie no Brasil, Tacla Duran repassava valores para as contas de Wu Yu que, por sua vez, providenciava as quantias no Brasil. Ligado aos comerciantes da Rua 25 de Março, em São Paulo

Adir Assad e Samir Assad – Operação Kibe e Esfirra
Prestadores de serviço responsável por vender notas frias para “fazer dinheiro” em espécie no Brasil. Estão relacionados as operações Kibe e Esfirra, segundo o delator Vinicius Borin. Suas empresas movimentaram cerca de R$ 1,4 bilhão para várias empreiteiras alvos da Lava Jato.

Juca – Vinicius
Brasileiro residente em Montevidéu, no Uruguai, e que recebia repasses de Rodrigo Tacla Duran com o objetivo de “fazer dinheiro” no Brasil. Segundo Vinicius Borin, utilizava as contas Meriwther Trading, Westside Consulting e Chama Leon.

FUNÇÃO
Cuidavam da operação de pagamentos de propinas para os agentes públicos e políticos corrompidos. Recebiam dinheiro da Odebrecht, por contas de offshores ou contratos falsos, e executavam a entrega, em espécie ou por transferências em contas secretas no exterior. Ao mesmo tempo que serviam para dissimular a origem do dinheiro, afastavam o pagador dos recursos dos beneficiários

OPERAÇÃO
Atuavam em duas frentes para efetuar os pagamentos de propinas:

1 – um grupo, formado por doleiros, lobistas e operadores de mercado financeiro, fazia entregas de propinas em dinheiro em espécie no Brasil;

2 – o outro, operadores financeiros e ex-executivos, cuidava das transferências por contas em nome de offshores, no exterior, diretamente para os beneficiários ou por meio de contas de passagem, ou remetendo valores para doleiros brasileiros, do grupo de prestadores
COMO FUNCIONAVA

DINHEIRO – A Odebrecht abastecia com recursos de suas empresas contas de offshores, que ela ou pessoas ligadas a ela controlavam. Eram as chamadas contas controladas pelo grupo, que compunham a primeira camada da lavagem

AFASTAMENTO – O dinheiro era então repassado para outras contas de offshores controladas por operadores financeiros, alguns deles ex-executivos do grupo ou pessoas ligadas a ele. Essas contas era chamadas de contas de passagem, ou contas elo. São contas em nome das offshores que formavam a segunda camada de offshores.

RECEBIMENTO NO BRASIL – Para entregar propina em espécie no Brasil, a Odebrecht usava uma rede “prestadores de serviços fixos”, que recebiam valores no exterior das contas secretas de offshores abastecidas pelo grupo, e dispunham de moeda no Brasília – típica operador de dólar cabo. Os prestadores então recebiam as datas, os endereços dos beneficiários, identificados por codinomes, os nomes dos enviados para receber o dinheiro e senhas para a retirada dos valores

RECEBIMENTO NO EXTERIOR – O dinheiro da segunda camada de offshores, controlada por operadores financeiros, repassava a uma terceira camada de contas bancárias de offshores que tinham ex-executivos e políticos como beneficiários

 

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoOdebrecht