Operador do PMDB foi à Petrobrás com aliado de Renan

Operador do PMDB foi à Petrobrás com aliado de Renan

Jorge Luz, preso desde fevereiro, revela ao juiz Sérgio Moro que deputado Aníbal Gomes (PMDB/CE) o acompanhou pelo menos três vezes na estatal

Luiz Vassallo

02 Agosto 2017 | 05h00

Deputado, Aníbal Gomes (PMDB CE), na Câmara dos deputados, em Brasilia. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

O lobista Jorge Luz, apontado como operador de propinas do PMDB, entregou ao juiz federal Sérgio Moro registros de entrada na Petrobrás nos quais constam que ele entrou na estatal acompanhado do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) pelo menos três vezes para visitar os ex-diretores da Petrolífera Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, delatores da Lava Jato. O deputado é apontado pelo operador como o responsável por indicar contas para o recebimento de R$ 11,5 milhões em propinas em benefício dele, dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho, ao ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula, Silas Rondeau. Os ex-diretores visitados pelo peemedebista e Luz teriam sido ajudados pelos políticos, em troca das vantagens indevidas, a assegurarem seus cargos por volta de 2005.

Luz é acusado de atuar junto aos lobistas Fernando Soares e Julio Camargo na operacionalização de propinas de R$ 15 milhões a políticos do PMDB oriundas da contratação do navio-sonda Petrobras 10.000 do estaleiro coreano Samsung ao custo de US$ 586 milhões entre 2006 e 2008.


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Em depoimento a Moro no dia 19 de julho, ele confessou pagamento de R$ 11,5 milhões aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho, ao ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula, Silas Rondeau, e ao deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).

Os repasses teriam ocorrido em contrapartida do suposto apoio dos políticos para fortalecer os ex-diretores da área Internacional Nestor Cerveró e de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, na estatal. O lobista teria sido informado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB, que os dois agentes públicos estariam ‘balançando’ em seus cargos por volta de 2005, e , para mantê-los em seus cargos, pediu ajuda e influência aos parlamentares.

De acordo com o lobista, o primeiro político com quem ele falou foi Aníbal Gomes, que seria ‘muito ligado ao Renan’.

O deputado teria tido uma primeira conversa com Jader, Renan e Silas Rondeau (ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula). Com a resposta positiva dos peemedebistas a ajudar Cerveró e Paulo Roberto Costa, teriam ‘começado as negociações’ pelas propinas.

Gomes também teria sido o responsável por indicar a conta Headliner, que seria a destinatária dos valores, fora do país, repassados aos peemedebistas.

Em petição ao juiz federal Sérgio Moro, no processo em que é réu, os advogados de Luz entregaram planilhas com os registros de entradas na Petrobrás junto do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE), em janeiro, março e junho de 2007, justamente em visitas aos dois ex-diretores que teriam recebido a ajuda para serem mantidos em seus cargos em troca das propinas de R$ 11,5 milhões aos políticos do PMDB.

As datas das visitas também coincidem com o período, entre julho de 2006 e fevereiro de 2008, em que o Ministério Público Federal sustenta que ‘o representante do estaleiro Samsung, Júlio Camargo, ofereceu e prometeu aos colaboradores Fernando Baiano e Nestor Cerveró’  e a ‘Jorge e Bruno Luz, Demarco Jorge Epifânio e Lúis Carlos Moreira, ex-funcionários da Petrobrás subordinados a Nestor Cerveró, em razão da função exercida pelos agentes públicos, vantagem indevida no montante aproximado de US$ 15 milhões  para determiná-los a praticar ato de ofício consistente na viabilização da contratação de um navio sonda (“Navio-sonda PETROBRAS 10000”) com o estaleiro Samsung Heavy Industries Co., na Coreia, no valor de US$ 586.000.000,00, para perfuração de águas profundas a ser utilizado na África’.

COM A PALAVRA, RENAN

“Não vejo o Jorge Luz há 20 anos. Não tenho lobista, nunca tive contas no exterior e não recebi dinheiro ilegal. Portanto, a chance dessas planilhas que me citam serem verdadeiras é Zero!”

COM A PALAVRA, JADER BARBALHO

“O senador Jader Barbalho diz que nunca teve conta na Suíça e que cabe a Jorge Luz provar ao juiz os depósitos, o número da conta e as datas. Também diz que conhece Jorge Luz, mas jamais teve algum tipo de negócio. Diz ainda que isso é declaração de criminoso que deve ser investigada pela Justiça”.

COM A PALAVRA, ANÍBAL GOMES

A reportagem entrou em contato com o gabinete de Aníbal Gomes, que não se pronunciou. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, SILAS RONDEAU

A reportagem não localizou o ex-ministro. O espaço está aberto para manifestação.