Operador da Operação My Way silencia em depoimento à PF

Mário Góes, que levava mochila com até R$ 400 mil em dinheiro vivo na Petrobrás, se recusa a responder sobre cartel e contas no exterior para Lava Jato

Redação

14 Fevereiro 2015 | 05h11

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba 

O empresário Mário Goes, apontado pela Operação My Way – nona fase da Lava Jato – como um dos principais operadores de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás, durante a gestão de Renato Duque, escolheu o silêncio na maior parte de seu depoimento à Polícia Federal. Nove perguntas que lhe foram dirigidas não tiveram resposta. Ele invocou o “direito constitucional de permanecer calado” cada vez que a PF o questionava, por exemplo, sobre contas no exterior ou se recebeu ou intermediou recursos do cartel de empreiteiras na estatal.

Único a ter prisão preventiva decretada na My Way – investigação que mira pagamentos de propinas na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás -, Mário Frederico de Mendonça Góes é um personagem emblemático. Engenheiro naval, milionário, sergipano de Aracaju, 74 anos de idade, ele foi denunciado pelo ex-gerente de Serviços da Petrobrás, Pedro Barusco, em delação premiada.

Segundo Barusco, ele movimentava dinheiro de propina e chegou a levar mochilas com até R$ 400 mil em dinheiro vivo a Duque, indicado pelo PT para o cargo estratégico na petrolífera.

Góes entregou-se à PF no domingo, 8, três dias depois da deflagração da My Way. Na segunda, 9, o delegado da PF Eduardo Mauat da Silva tomou seu depoimento.  Ele declarou que é proprietário de algumas empresas, Riomarine, Óleo e Gás Empreendimentos e Mago Consultoria. Mas adotou o silêncio quando indagado sobre temas que podem incrimina-lo ainda mais.

“Perguntado se funcionou como operador em algum esquema de recebimento e distribuição de propinas afirma que deseja invocar o seu direito constitucional de permanecer calado”, registrou o delegado federal.

Respondeu da mesma forma quando lhe foi perguntado se  possui envolvimento com o esquema de cartelização de empreiteiras junto à Petrobrás e também quando o delegado perguntou se suas empresas prestam ou prestaram serviços a empreiteiras como UTC Engenharia, Andrade Gutierrez, MPE, OAS, Mendes Jr, Carioca, Schahin. Todas alvo da Lava Jato, essas empreiteiras negam prática de ilícitos.

Mário Góes não respondeu “se possui algum vínculo ou recebeu quaisquer recursos” que tiveram origem ou transitaram pelas contas das empresas Dole Techi Inc, Rhea Comercial e Ibiko Consulting.

Escondeu-se no silêncio também quando o delegado da PF o indagou se recebeu algum recurso, direta ou indiretamente, que transitaram pelas contas Daydream, Backspin e Maranelli.