Operação Patmos, o apocalipse político

Operação Patmos, o apocalipse político

Chama Patmos, a ação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República que nesta quinta-feira, 18, cercou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), prendeu sua irmã Andrea e seu primo Fred

Fausto Macedo, Fabio Fabrini e Julia Affonso

18 Maio 2017 | 09h55

Aécio Neves e Michel Temer. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Chama Operação Patmos, a ação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República que nesta quinta-feira, 18, cercou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), prendeu sua irmã Andrea e seu primo Fred.

Patmos é uma pequena ilha da Grécia no mar Egeu. É conhecida por seu o local para onde o apóstolo João foi exilado, segundo o livro bíblico de Apocalipse. Ali, João recebeu as revelações do apocalipse.

Com Patmos, a Procuradoria-Geral da República anuncia o apocalipse político.

Dono do maior grupo de produção de proteína animal do mundo, Joesley gravou o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) que fazia pagamentos para evitar que o ex-deputado falasse o que sabe a investigadores.

A revelação foi feita pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo e confirmada pelo Estado. O empresário também teria gravado Aécio lhe pedindo R$ 2 milhões. O valor teria sido entregue a um primo do senador, em espécie, que teria levado as notas para uma empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

A Polícia Federal cumpre mandados judiciais nas casas e nos gabinetes dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Zezé Perrella (PMDB-MG), além de endereços de várias pessoas a eles ligadas, entre elas a irmã do tucano, Andréa Neves, e o filho do peemedebista, Gustavo Perrella.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A operação mira citados na delação do empresário Joesley Batista, da JBS, e de outros empresários do grupo.

Além do gabinete no Senado, os policiais estão nos apartamentos de Aécio em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, além da fazenda dele, em Cláudio (MG). Também há medidas judiciais sendo cumpridas contra Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador, apontado por Joesley como intermediàrio para o pagamento de R$ 2 milhões ao congressista.

Há ainda mandados sendo cumpridos no gabinete em Brasília, na casa e no escritório de Zezé Perrella em Belo Horizonte, fora endereços de um contador e de empresas ligadas a ele. A PF vasculha também a casa do doleiro Gaby Amine Toufic, em Belo Horizonte, e de funcionários do peemedebista, incluindo o assessor Mendherson Souza.

 

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