Operação Mecânica, a planilha da propina a Sérgio Cabral

Operação Mecânica, a planilha da propina a Sérgio Cabral

Documento juntado aos autos da Operação Calicute por executivo ligado à Andrade Gutierrez identifica valores para ex-governador do Rio nas obras do Maracanã, Metrô Copacabana, Complexo de Manguinho, Arco Metropolitano...

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

07 Dezembro 2016 | 12h06

operacaomecanica

A propina paga pela Andrade Gutierrez ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) passava por um controle dos executivos da empreiteira. Anexada à denúncia da Procuradoria da República contra o peemedebista, a planilha ‘Operação Mecânica’ indica os pagamentos ao ex-governador e a taxa de oxigênio a seus aliados.

Sérgio Cabral é acusado por 164 atos de lavagem de dinheiro e 49 de corrupção passiva. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, aceitou a denúncia nesta terça-feira, 6, e colocou o peemedebista no banco dos réus. A advogada Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, foi presa por ordem do magistrado.

A planilha foi entregue pelo economista Alberto Quintaes, um dos delatores da Operação Lava Jato ligado à Andrade Gutierrez, e faz referência ‘à obra, aos meses e aos valores dos pagamentos de propina’.

Em depoimento complementar à delação, em 29 de novembro, Alberto Quintaes declarou que ‘o controle feito em planilhas era uma forma de se resguardar dentro da AG no sentido de que o que nelas constam com certeza foi pago’.

“Na tabela, observa-se na coluna ‘Custo Mensal Equip’ os valores pagos a título de propina. Na coluna ‘Saldo Acum’, consta o montante de propina devida ao longo dos meses, sendo que, quando os valores aparecem entre parênteses, na verdade se está diante de crédito, considerando os adiantamentos realizados”, explica a denúncia.

“Outras colunas fazem referência ao cálculo do valor espúrio devido, considerando os valores faturados pelo Estado do Rio de Janeiro em favor da Andrade Gutierrez.”

Segundo a acusação, a coluna ‘MCNA-5’ trata da reforma do estádio do Maracanã para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e para a Copa do Mundo de 2014. O número 5, afirma a Procuradoria, é referência aos 5% de propina exigindo por Sérgio Cabral sobre os valores de contratos de obras do Estado com empreiteiras.

“’MCAX-7’ é referência à obra do Mergulhão de Caxias, sendo que, neste caso, o percentual devido a título de propina era de 7%. ‘MCO4-5’ refere-se à obra do Metrô de Copacabana (Trecho 4 – Estação Cardeal Arcoverde), obra em relação à qual não houve pagamento de propina, pois não houve faturamente da dívida pela execução da obra”, indica o Ministério Público Federal.

“’MANG-3’ refere-se ao PAC Favelas no Complexo de Manguinho, tendo sido saldada a propina devida pela execução da obra. ‘AMRJ-3’ refere-se à obra do Arco Metropolitano, em relação à qual não chegou a ser efetivado pagamento de propina. Por fim, ‘ACRJ’ refere-se às doações eleitorais contabilizadas como propina.”

O Ministério Público Federal observa que a planilha foi criada pelo superintendente comercial, João Marcos da Fonseca, da Andrade Gutierrez. Para os procuradores, o documento ‘é uma prova fidedigna dos crimes de corrupção’.

“O Laudo de Perícia Criminal nº 2495/2016, elaborado pela Polícia Federal em Curitiba, comprovou que se trata de arquivo eletrônico que sofreu sua última alteração em 29 de março de 2012, antes mesmo do advento da Operação Lava Jato”, destaca a denúncia.

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