Operação da PF faz chover dinheiro em Pernambuco

Durante buscas contra esquema de corrupção na Hemobrás, alvo arremessou pela janela de prédio maços de notas

Andreza Matais, de Brasília, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

09 Dezembro 2015 | 12h25

fabricahemobras

Fábrica da Hemobras. Foto: Divulgação

Durante buscas realizadas na Operação Pulso em um prédio em Pernambuco nesta quarta-feira, 9, alvo da Polícia Federal arremessou dinheiro vivo pela janela de um prédio. Os maços de notas caíram na rua e na calçada do prédio. A situação inusitada foi filmada por agentes da PF que estão cumprindo ordens judiciais em Pernambuco, Piauí, Paraíba, Minas e São Paulo – ao todo, 59 mandados, inclusive dois de prisão temporária.

Um dos alvos da PF é Mozart Sales, ex-secretário de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da  Saúde (2012/2014) e ex-diretor da Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia. A Pasta, na ocasição, era comandada por Alexandre Padilha, hoje secretário do governo Fernando Haddad em São Paulo. Durante a gestão de Mozart Sales, foi criado o programa Mais Médicos, principal aposta do governo Dilma Rousseff na área de Saúde.

VEJA O DINHEIRO SENDO ARREMESSADO DO ALTO DO EDIFÍCIO


A Operação Pulso busca reprimir a atuação de uma organização criminosa especializada em direcionar licitações e desviar recursos públicos da Hemobrás.

A PF informou que foi autorizado ainda o afastamento de 3 integrantes da Hemobrás, sendo dois membros da sua Diretoria.

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Foram mobilizados 170 policiais federais para cumprir as medidas previstas nesta fase, que recai sobre ilícitos em diversos licitações e contratos de logística de plasma e hemoderivados, bem como na própria obra de construção da fábrica em Goiana, Pernambuco.

A Hemobrás tem a missão de alcançar autonomia tecnológica na produção de medicamentos derivados do sangue necessários para abastecimento de pacientes da rede pública de saúde brasileira. Durante a operação, segundo a PF, percebeu-se que inúmeras amostras de sangue coletado que deveria ser transformado em medicamentos contra a hemofilia e outras doenças deixaram de ser fabricados em virtude de ter sido armazenado de forma inadequada tornando-se inapropriado para a produção dos medicamentos.

Os delitos investigados são peculato, corrupção passiva e ativa, fraude à Lei de Licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

 

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA SAÚDE

“O Ministério da Saúde considera inadmissível qualquer uso inadequado e irregular de recursos públicos, sobretudo quando se trata de desvios de verba da saúde, impactando na vida de pacientes e familiares. Até o momento, a pasta não foi notificada da Operação Pulso da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (9). Em todo caso, o Ministério da Saúde está buscando conhecer o objeto da investigação para que, então, possa adotar qualquer medida que seja necessária. Também se coloca à disposição das autoridades policiais para contribuir com as investigações.”

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