Operação Aletheia vasculha tríplex 164/A que Lula diz não ser dele

Operação Aletheia vasculha tríplex 164/A que Lula diz não ser dele

Agentes da Polícia Federal chegaram às 6 hs da manhã no Condomínio Solaris, no Guarujá, e precisaram de um chaveiro da cidade para abrir portas

Julia Affonso, Andreza Matais, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

04 Março 2016 | 18h21

Fachada do Condomínio Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS

Fachada do Condomínio Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS

A Polícia Federal fez uma inspeção no tríplex 164/A no Condomínio Solaris, no Guarujá, que a força-tarefa da Operação Lava Jato suspeita ser dele. Às 6hs desta sexta-feira, 4, agentes da Operação Aletheia, fase crucial da Lava Jato que pegou Lula, a família dele e aliados do PT, chegaram ao emblemático condomínio.

A construção do Solaris foi iniciada pela Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de São Paulo (Bancoop), mas acabou incorporada pela OAS, empreiteira que formou cartel de propinas na Petrobrás e cujo dono, Léo Pinheiro, é muito próximo do petista.

O tríplex virou alvo de duas poderosas frentes de investigação. Uma do Ministério Público do Estado de São Paulo, outra da força-tarefa da Lava Jato, que reúne a Procuradoria da República e a Polícia Federal, sob a tutela do juiz Sérgio Moro.

As duas instâncias do Ministério Público e a PF suspeitam que o ex-presidente é o verdadeiro dono do apartamento. A investigação mostra que o 164/A passou por uma reforma milionária, bancada pela OAS, ao preço de R$ 777 mil – afora instalação de cozinha de alto padrão e de um elevador privativo que custou R$ 62,5 mil.

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O ex-presidente afirma que não é dono do imóvel, inspecionado nesta sexta, 4, pelos federais da Aletheia.

A PF não arrombou as portas do tríplex. Pediu a presença de um chaveiro da cidade para abrir a porta principal e, depois, outras duas portas de cômodos.

Com o caminho livre, os agentes percorreram os 297 metros quadrados do 164/A. O imóvel está praticamente vazio. Havia apenas algumas caixas de mobília, que foram deslacradas.

No pedido de busca e apreensão – peça de 89 páginas -, apresentado ao juiz federal Sérgio Moro, o Ministério Público Federal enumerou cinco indícios de que os reais beneficiários do tríplex e da reforma no interior do imóvel são o ex-presidente Lula e sua família.

Segundo a Procuradoria, depoimentos apontam que o petista e a família visitaram o imóvel, ‘e no seu interesse foram conduzidas reformas no apartamento’.

“De maneira absolutamente incomum, a OAS arcou com elevadas despesas para reformar o imóvel (mais de R$ 750 mil); de maneira completamente incomum, a OAS arcou com elevadas despesas de instalação de móveis na cozinha e dormitórios do apartamento (cerca de R$ 320 mil)”, afirma a força-tarefa da Lava Jato.

“Engenheiros da OAS e funcionária da empresa que realizou a reforma no apartamento confirmaram a participação da esposa e do filho de Lula em reunião com executivos da OAS para tratar de detalhes da obra; as notas públicas de Lula sobre a propriedade do tríplex no Guarujá não guardam pertinência lógica com a estrutura negocial construída pela OAS no condomínio.”

O diretor da OAS Paulo Roberto Valente Gordilho, foi alvo de mandado de condução coercitiva e busca e apreensão na Alethea. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Gordilho foi o responsável por confeccionar os projetos e providenciar a contratação da Kitchens para mobiliar a cozinha do sítio de Atibaia/SP e do apartamento do Solaris.

“Não obstante Paulo Roberto Valente Gordilho tenha deturpado a sua intensa participação nos fatos, ao tempo em que foi ouvido pelo Ministério Público Federal, as evidências já angariadas – que envolvem diversas mensagens que foram apreendidas no celular de Léo Pinheiro e também provas testemunhais – comprovam não apenas que ele participou intensamente das operações ilícitas, como também que ele se empenhou para ocultar o fato de que o beneficiário das reformas seria o ex-presidente da República Lula e sua família. Paulo Gordilho foi indicado por representantes da Kitchens, por exemplo, como o responsável por efetuar o pagamento relativo à cozinha do sítio de Atibaia/SP em espécie, em meados do ano de 2014.”

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