Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Política

Politica » Offshore que pagou marqueteiro do PT tem contrato com estaleiro por negócio na Petrobrás

Política

Offshore que pagou marqueteiro do PT tem contrato com estaleiro por negócio na Petrobrás

Offshore que pagou marqueteiro do PT tem contrato com estaleiro por negócio na Petrobrás

Lava Jato apreendeu na casa de lobista da Keppel Fels Zwi Skornicki documento de 'assessoria' assinado, em 2011, entre a Deep Sea Oil, que repassou US$ 4,5 milhões a conta secreta de João Santana entre 2012 e 2014, e subsidiária de estaleiro referente a construção de seis navios-sondas para estatal

Fausto Macedo, Fernanda Yoneya e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

27 Fevereiro 2016 | 17h00

CONTRATO DEEP E FERNAVALE 4

Nas buscas e apreensões feitas na casa do operador de propinas Zwi Skornicki, no Rio, a Polícia Federal já tinha recolhido em 2014, um contrato firmado entre uma subsidiária do estaleiro Keppel Fels, a Fernvale, e a offshore Deep Sea Oil, por serviços no Brasil de intermediação de contratos com a Sete Brasil – empresa criada para fornecer sondas de perfuração marítima para a Petrobrás. Os contratos bilionários teriam envolvido o acerto de 1% de propina, segundo apura a Operação Lava Jato.

A Deep Sea Oil, empresa criada pelo operador de propinas nas Ilhas Virgens Britânicas, é um dos focos principais da força-tarefa na Operação Acarajé. A offshore de Zwi repassou entre 2012 e 2014 um total de US$ 4,5 milhões para a conta secreta do marqueteiro do PT João Santana e de sua mulher e sócia, Mônica Moura, em nome da Shellbill Finance. Os dois estão presos em Curitiba, alvos da 23ª fase da Lava Jato.

O contrato de “Marketing Consulting and Services Agreement” é de dezembro de 2011. com a Fernvale Pte. Ltd., com sede em Cingapura, e a Deep Sea Oil Corp. O documento informa que os serviços de assessoria seria referente a oportunidades de negócios com a Sete Brasil Participações S.A. Para a construção de seis navios-sonda, para exploração de petróleo.

CONTRATO DEEP E FERNAVALE

CONTRATO DEEP E FERNAVALE 2

A Sete Brasil foi criada em 2011 pela Petrobrás, com recursos de três fundos de pensão federais (Petrus, Previ e Funcef) e bancos privados BTG Pactual, Bradesco e Santander. O primeiro projeto foi a contratação de estaleiros para construção e fornecimento de 28 navios-sondas para a Petrobrás, em especial para uso na exploração dos campos do pré-sal. Um contrato de US$ 22 bilhões.

Três ex-executivos da Sete Brasil e da Petrobrás – Pedro Barusco, Eduardo Musa e o ex-presidente da empresa José Carlos Ferraz – confessaram que os cinco estaleiros contratados, entre eles o BrasFels – da Keppel Fels – pagaram propina para agentes públicos e políticos, dentro do esquema alvo da Petrobrás.

CONTRATO DEEP E FERNAVALE 3

Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, responsável pela arredação da propina na Diretoria de Serviços – que era cota do PT -, e depois executivo da Sete Brasil, foi o primeiro a apontar as propinas. Segundo ele, o acerto foi de 1% nos bilionários contratos, sendo dois terços para o partido. O ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto teria sido o responsável por essa arredação.

Trecho dos dados bancários da conta de passagem nos Estados Unidos da Shellbill Finance, que seria do marqueteiro do PT João Santana

Trecho dos dados bancários da conta de passagem nos Estados Unidos da Shellbill Finance, que seria do marqueteiro do PT João Santana

 

Acarajés. A partir da cooperação internacional obtida nos Estados Unidos, a Lava Jato chegou aos depósitos feitos na conta secreta na Suíça do marqueteiro do PT, em nome da Shellbill Finance, por intermédio do Citibank em Nova Iorque. Foram identificados nove transferências entre 2012 e novembro de 2014. Neste último ano, Santana era o responsável pela campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

[veja_tambem]

São pelo menos três desses pagamentos, que totalizam US$ 1,5 milhão, feitos entre julho e novembro de 2014 – período da disputa eleitoral.

Santana e a mulher Mônica Moura negaram que os recebimentos na Shellbill oriundos da offshore Deep Sea Oil , do operador de propinas da Keppel Fels, tivesse relação com serviços prestados no Brasil e com a Petrobrás. Segundo o casal de marqueteiros do PT, o valor teria sido por serviços prestados na campanha presidencial em Angola, onde receberam US$ 50 milhões, dos quais US$ 20 milhões por meio de um contrato de gaveta.

Mônica afirmou que se reuniu com Zwi Skornicki em seu escritório no Brasil, para acertar o pagamentos dos US$ 4,5 milhões via conta da Shellbill, após ser indicado por membros da campanha angolana.

Clique para ampliar

Clique para ampliar

Clique para ampliar

Clique para ampliar

recebimentos conta shellbill 3

Clique para ampliar

Clique para ampliar

 

Mais conteúdo sobre: