Odebrecht foi beneficiada em licitação do Galeão, relata Palocci

Odebrecht foi beneficiada em licitação do Galeão, relata Palocci

Ex-ministro que entregou Lula em depoimento a Sérgio Moro afirmou nesta quarta-feira, 6, que empreiteira levou vantagem após perder outra concorrência do setor

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

07 Setembro 2017 | 06h00

Foto: Estadão Conteúdo

Na primeira meia hora de interrogatório perante o juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta-feira, 6, o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) afirmou que a Odebrecht foi beneficiada na licitação do aeroporto do Galeão, no Rio. Palocci disse que o benefício ocorreu como forma de compensar a empreiteira pela perda da concorrência do setor.

Segundo o ex-ministro, a eleição de Lula ‘reascendia a ideia da estatização’. Palocci narrou que a Odebrecht pediu a ele que, ‘junto ao presidente Lula e a Petrobrás fizesse uma barreira de contenção a esse movimento’.

“Isso poderia significar a reestatização do serviços de petroquímica”, afirmou. “No caso do governo da presidente Dilma tinha uma série de questões como submarino, a Petrobrás, as sondas da Petrobrás.”

Antonio Palocci relatou. “Era uma discussão muito grande sobre o valor de contratação dessas sondas, sobre nacionalização das sondas, sobre diferentes níveis de nacionalização, sobre onde estariam esses estaleiros, isso tudo era uma discussão que se o governo agisse contra a empresa, os danos seriam extraordinários. Se o governo agisse a favor da empresa, os benefícios também seriam extraordinários.”

Palocci incrimina Lula em ação sobre propinas da Odebrecht

Palocci fala de reunião com Lula, Dilma e Gabrielli para acerto de propinas do pré-sal

Palocci diz que reforma de sítio, compra de terreno e apartamento eram propinas de Lula

Relação dos governos Lula e Dilma com Odebrecht foi ‘bastante movida’ a propina, diz Palocci

Moro pediu ao ex-ministro que desse um exemplo.

“Um exemplo foi na área de aviação. A Odebrecht desejava muito, nas concessões de aeroportos, ter um aeroporto de porte sob seu comando na medida em que o governo privatizou os aeroportos”, afirmou.

De acordo com as declarações de Palocci, ‘na primeira leva de privatizações, quando foi privatizado o aeroporto de Guarulhos, de Campinas/Vira Copos e de Brasília, a Odebrecht foi perdedora’.

“Ela perdeu os três”, contou.

“Ela (Odebrecht) tinha muito desejo de ganhar a licitação do aeroporto de Campinas e ela perdeu. Ao perder essa licitação, a Odebrecht entrou com um recurso contra o consórcio vencedor dessa licitação, que era a empresa Triunfo e a empresa UTC.”

Ao juiz da Lava Jato, o ex-ministro relatou que foi procurado pelos executivos Marcelo Odebrecht e Alexandrino Alencar para que ele ‘intercedesse em apoio a eles’.

“Porque eu que havia nomeado o presidente da Anac. Nesse momento, eles queriam que eu intercedesse no sentido de mudar o resultado da licitação para que eles fossem os vencedores como segundo colocados. Como eu não fiz isso e disse que não faria, acha inadequado fazer essa mudança, eles pediram que a gente desse uma solução”, contou.

“Eu fui à presidente Dilma para que eles deviam ficar calmos que numa próxima licitação ela cuidaria desse assunto. Aí eles retiraram o recurso que eles tinham na Anac e foram beneficiados na licitação do aeroporto do Galeão, no Rio. Como foram beneficiados, houve uma cláusula nessa licitação que impedia o vencedor da licitação de Cumbica de participar do aeroporto do Galeão, em condições livres.”

Palocci disse que a cláusula foi colocada ‘por solicitação da Odebrecht’. “E eu tive participação nisso.”

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato