Odebrecht entrega pista da propina para MDB via Rodrigo Tacla Duran

Odebrecht entrega pista da propina para MDB via Rodrigo Tacla Duran

Ex-funcionário da Odebrecht detalha que a propina para os emedebistas saíram das contas operadas pelo Setor de Operações Estruturadas com destino a conta de offshore GVtel, em nome de Tacla Duran

Fabio Serapião e Fausto Macedo

09 Maio 2018 | 06h00

O ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial Márcio Faria da Silva entregou aos investigadores da Lava Jato de Curitiba um fluxograma com informações sobre o caminho da propina paga a integrantes do PMDB em troca de um contrato milionário na Diretoria de Internacional da Petrobras.

No fluxograma, o ex-funcionário da Odebrecht detalha que a propina para os emedebistas saíram das contas operadas pelo Setor de Operações Estruturadas com destino a conta de offshore GVtel, em nome do doleiro Rodrigo Tacla Duran. Dessa conta, os valores seguiam para contas controladas pelo doleiro chinês Wu Yu Sheng que, por sua vez, fornecia o equivalente em espécie, no Brasil, para uma pessoa chamada Angelo Lauria, responsável por dividir os valores entre os políticos do MDB.

“Tais pagamentos foram referenciados no Sistema Drousys por meio dos codinomes Tremito e Mestre”, diz o MPF.

O contrato de US$ 825 milhões da Petrobrás é o principal alvo da Dejà vu, 51ª fase da Lava Jato,  deflagrada nesta terça-feira, 8. Os repasses de propina foram revelados em anexo da delação da Odebrecht em que é narrada uma reunião entre um lobista, emedebistas, entre eles, o presidente Michel Temer, e ex-executivos da empreiteira. Segundo os delatores da construtora, no encontro, em 2010, teria sido acertada propina de US$ 40 milhões ao partido. O valor era referente a 5% do termo da Odebrecht com a estatal.

“Nesse contexto, informaram Rogério Araújo e Marcio Farias, ainda, que em contrapartida às vantagens indevidas prometidas a agentes políticos vinculados ao MDB, a Odebrecht contaria com apoio incondicional de Jorge Zelada, então Diretor Internacional da Petrobras, para apresentar, defender e aprovar sua contratação”, diz trecho do pedido de buscas e prisões da Deja vu.

COM A PALAVRA, O PRESIDENTE MICHEL TEMER

À época da divulgação das delações da Odebrechto, o presidente Michel Temer afirmou que ‘jamais tratou de valores’ com Márcio Faria. “A narrativa divulgada hoje (quarta) não corresponde aos fatos e está baseada em uma mentira absoluta. Nunca aconteceu encontro em que estivesse presente o ex-presidente da Câmara, Henrique Alves, com tais participantes”, disse o texto emitido pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência.

Segundo o Planalto, o que realmente ocorreu foi que, “em 2010, na cidade de São Paulo, Faria foi levado ao presidente pelo então deputado Eduardo Cunha”. “A conversa, rápida e superficial, não versou sobre valores ou contratos na Petrobras. E isso já foi esclarecido anteriormente, quando da divulgação dessa suposta reunião”, destaca a nota.

Temer contestou ainda de “forma categórica” qualquer envolvimento de seu nome em negócios escusos. “(o presidente) Nunca atuou em defesa de interesses particulares na Petrobrás, nem defendeu pagamento de valores indevidos a terceiros”, diz o texto.

COM A PALAVRA, RODRIGO TACLA DURAN

O Estado procurou a assessoria de imprensa de Tacla Duran, mas não obteve retorno. O espaço está aberto.