‘Odebrecht dava propinas frequentes a Lula e ao PT’, diz Palocci

‘Odebrecht dava propinas frequentes a Lula e ao PT’, diz Palocci

Nesta quarta-feira, 6, ex-ministro confessou ter intermediado relações delituosas entre o ex-presidente e a empreiteira

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

07 Setembro 2017 | 05h00

Ex-presidente Lula. FOTO: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Ao confessar envolvimento em corrupção na Petrobrás e incriminar Lula nesta quarta-feira, 6, o ex-ministro Antônio Palocci ressaltou as supostas ‘propinas frequentes’ da Odebrecht ao ex-presidente.

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Palocci foi preso na Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato, em setembro de 2016, e condenado por Moro a 12 anos e 2 meses de prisão. Ele está tentando fechar acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal.

Em meio a questionamentos do advogado Cristiano Zanin, defensor de Lula, sobre o envolvimento da construtora com a compra de terreno onde seria sediado o Instituto Lula Palocci pediu desculpas por chamar a Odebrecht de ‘colaboradora’. “Colaboradora talvez seja uma palavra, dr (Moro), desculpa, às vezes, eu sou 30 anos treinado para falar dessa forma”.

“A Odebrecht dava propinas frequentes ao presidente Lula e ao PT como se tratava do pagamento de uma propina, ela achou que a Odebrecht poderia pagar esse terreno. Eu imagino que seja isso. Porque o Bumlai foi falar comigo, não foi para me convidar para visitar o prédio, foi para pedir para eu pedir o dinheiro para o Marcelo Odebrecht. Ele sabia que eu conversava com o Marcelo Odebrecht sobre essas coisas.”, afirmou.

O ex-ministro resolveu confessar seus crimes em interrogatório no âmbito de processo relacionado à suposta compra, pela Odebrecht, do apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo, e do terreno onde seria sediado o Instituto Lula. Segundo o Ministério Público Federal, os imóveis são formas de pagamento de vantagens indevidas ao petista.

Nesta quarta-feira, espontaneamente, Palocci confessou ter intermediado relações delituosas entre o Lula e o grupo Odebrecht. Segundo o ex-ministro a empreiteira ofereceu um pacote de propinas que envolve R$ 300 milhões, o terreno onde seria sediado o Instituto Lula e o sítio em Atibaia.

“No meu relacionamento com a Odebrecht, eu digo ao sr, eu algumas vezes pedi recursos para a Odebrecht para campanhas. Normalmente não foi no período que eu era ministro, porque eu pedi antes de eu ser ministro, em 2002, e em 2006, eu já não era mais ministro, então, não foi durante o período que eu era ministro. No período que eu era ministro eu tive uma relação muito fluida com eles, não escondo isso, não.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA

“Palocci muda depoimento em busca de delação

O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas.

Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula.

Como Léo Pinheiro e Delcídio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena.

Palocci compareceu ato pronto para emitir frases e expressões de efeito, como “pacto de sangue”, esta última anotada em papéis por ele usados na audiência.

Após cumprirem este papel, delações informais de Delcídio e Léo Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP.

Cristiano Zanin Martins”