EXCLUSIVO: Odebrecht aponta Aécio como ‘organizador’ de fraudes e propinas na Cidade Administrativa

EXCLUSIVO: Odebrecht aponta Aécio como ‘organizador’ de fraudes e propinas na Cidade Administrativa

Dois executivos da empreiteira acusam senador tucano por ‘organizar esquemas’ para ‘obter propinas’ em licitações para a construção da sede do governo mineiro; a obra custou R$ 1,2 bilhão ao Estado e foi realizada por consórcio liderado pela construtora

Breno Pires, de Brasília, e Luiz Vassallo, de São Paulo

11 Abril 2017 | 18h57

Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) é apontado por delatores da Odebrecht como o organizador de ‘um esquema para fraudar processos licitatórios’ na construção da Cidade Administrativa, em Minas. O tucano e o ex-presidente da Codemig, responsável pela licitação, Oswaldo Borges da Costa, serão investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal, pedido pela Procuradoria-Geral da República e autorizado pelo relator da Operação Lava Jato na Corte, ministro Edson Fachin. O Estado teve acesso com exclusividade a despachos do ministro, assinados eletronicamente no dia 4 de abril.

“Consoante o Ministério Público, os referidos colaboradores apontam, por meio de declaração e prova documental, que, no início de 2007, o senador Aécio Neves da Cunha, recém-empossado para o segundo mandato de governador do Estado de Minas Gerais, teria organizado esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de um cartel de empreiteiras, na construção da ‘Cidade Administrativa’ (ou ‘Centro Administrativo’) de Minas Gerais, com o escopo último de obter propinas decorrentes dos pagamentos das obras”, destaca Fachin.

O inquérito sobre Aécio é embasado nas delações dos executivos da Odebrecht Sérgio Luiz Neves e Benedicto Barbosa da Silva Junior.

A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves é a sede do governo do Estado de Minas Gerais. Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, Cidade Administrativa foi inaugurada em 2010 e custou mais de R$ 1,2 bilhão.

O projeto foi pago pelo governo de Minas e fechado pelo então governador. A Odebrecht liderou o consórcio que construiu a Cidade Administrativa, junto com a Queiroz Galvão e a OAS. A responsável pelo contrato foi a estatal Codemig.

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais já investiga suspeitas de fraude à licitação nas obras da Cidade Administrativa de Minas.

Inquérito civil público foi aberto em setembro do ano passado após vir à tona que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro citaria em delação premiada na Operação Lava Jato o pagamento de propina de 3% do valor do empreendimento a um dos principais auxiliares do tucano, o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DO SENADOR AÉCIO NEVES

“É falsa e absurda a acusação de que o senador Aécio Neves teria participado de algum ato ilícito envolvendo a Cidade Administrativa de Minas Gerais como publicado pelo blog. Mesmo sem ter tido acesso ao conteúdo da delação informamos que a licitação das obras da Cidade Administrativa foi objeto de ampla investigação do Ministério Público Estadual (Inquérito Civil Público 0024.07.000.185-4) que concluiu pelo arquivamento após constatar a regularidade dos procedimentos.

O edital de licitação foi apresentado previamente ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado. Todas as etapas das obras executadas foram acompanhadas pelos órgãos de fiscalização do Estado e auditadas por uma empresa técnica independente, contratada via licitação pública.”

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