OAB diz que ‘não é apropriado’ que diretor-geral da PF opine sobre investigações

OAB diz que ‘não é apropriado’ que diretor-geral da PF opine sobre investigações

Para Claudio Lamachia, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, as declarações de Fernando Segovia são inapropriadas 'sobretudo porque, recentemente, manteve reuniões com o investigado'

Fabio Serapião e Luiz Vassallo

10 Fevereiro 2018 | 12h43

Cláudio Lamachia. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O presidente da OAB Nacional, Claudio Lamachia, afirmou, neste sábado, 10, não ser ‘apropriado’ que ‘o diretor-geral da Polícia Federal dê opiniões a respeito de investigações em curso’. “Sobretudo porque, recentemente, manteve reuniões com o investigado”. A entidade reagiu a entrevista do diretor-geral da PF, Fernando Segovia, à agência Reuters, em que as investigações não encontraram provas de crime do presidente Michel Temer no âmbito do inquérito sobre a edição do Decreto dos Portos.

“O momento do país pede o fortalecimento das instituições”, afirmou.

Em entrevista, Segovia ainda disse que se houver um pedido da Presidência, a PF pode abrir uma investigação interna para apurar a conduta do delegado Cleyber Malta Lopes nos questionamentos apresentados ao medebista no decreto.

Lamachia saiu em defesa da ‘liberdade e independência’ do investigador. “Quanto à possibilidade de punição ao delegado que conduz o inquérito sobre o presidente da República, devemos observar que o investigador deve ter sua liberdade e independência preservadas. Ao agir de acordo com a lei, o investigador não comete ilícito”.

As declarações do diretor-geral da PF provocaram reação imediata de delegados que participam de investigações de inquéritos especiais, envolvendo autoridades com foro. A Coluna do Estadão teve acesso a uma mensagem enviada em grupo de WhatsApp de delegados na qual dizem que ‘ninguém da investigação foi consultado ou referenda essa manifestação’.

“Os integrantes do Grupo de Inquéritos da Lava Jato no STF informam que a manifestação do Diretor Geral da Polícia Federal que está sendo noticiada pela imprensa, dando conta de que o inquérito que tem como investigado o Presidente da República tende a ser arquivado, é uma manifestação pessoal e de responsabilidade dele. Ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referenda essa manifestação, inclusive pelo fato de que em três de anos de Lava Jato no STF nunca houve uma antecipação ou presunção de resultado de Investigação pela imprensa.”

Fernando Segovia, afirmou em mensagem enviada a colegas no WhatsApp, nesta sábado, 10, que ’em momento algum’ falou que a apuração seria arquivada.

COM A PALAVRA, REUTERS

A reportagem entrou em contato com a Reuters. O espaço está aberto para manifestação.