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Operação Alba Branca

53 grampos da Alba Branca revelam plano da quadrilha da merenda para ‘atacar outras cidades’

Por Fausto Macedo e Fernanda Yoneya

15/02/2016, 07h00

   

Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Civil em dezembro mostram intensa atividade dos integrantes da cooperativa que fraudava licitações; acompanhe o resumo dos 53 diálogos

Interceptações telefônicas da Operação Alba Branca indicam que a organização criminosa que fraudava licitações da merenda escolar e superfaturava produtos agrícolas e suco de laranja planejava se infiltrar em outras prefeituras de São Paulo e de outros Estados, como Bahia, Paraná, Rio e Minas, por meio da cooptação de servidores públicos e gestores municipais. A investigação mostra que pelo menos 22 administrações municipais paulistas já haviam fechado negócio com a Coaf, cooperativa apontada como carro-chefe das fraudes que também mirava em contratos da Secretaria da Educação do Estado.0006

A Alba Branca está apenas começando. Os diálogos não são prova de corrupção ou de que tudo o que é dito pelos interlocutores tenha de fato ocorrido. Os investigadores estão usando as gravações para seguir pistas de contratos que teriam sido fraudados. Para isso, vão solicitar de administrações municipais cópias de editais de chamada pública e de contratos fechados com a Coaf.

Um resumo de 53 grampos anexado a relatório da Polícia Civil destaca intensa atividade do grupo em dezembro, sob coordenação do lobista Marcel Ferreira Júlio.

Foragido desde que Alba Branca foi deflagrada, no dia 19 de janeiro, Marcel conversa e orienta outros alvos, principalmente o então diretor financeiro da cooperativa, César Bertholino.

“O saque foi em cima do dinheiro do Estado”, diz Bertholino, em diálogo de 10 de dezembro com Marcel, sem especificar detalhes. O lobista diz que “foi protocolar documento na Secretaria”.

A investigação mostra que Marcel e o ex-presidente da Coaf Cássio Chebabi circulavam sem restrições por gabinetes de deputados na Assembleia Legislativa de São Paulo, cujo presidente, Fernando Capez (PSDB), é alvo do inquérito – a Procuradoria-Geral de Justiça requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal do tucano.

A estratégia audaciosa da organização para 2016 incluía precauções com o sigilo das comunicações. Interceptação do dia 15 de dezembro pegou “Carioca” pedindo a seu interlocutor, “Carlinho”, o “modelo de contrato e de chamada pública”. “Carlinho” sugere o uso do aplicativo Telegram, “pois é mais seguro para este ramo que trabalham”. Ele acrescenta que “o servidor é da Rússia e não precisa prestar informações para as autoridades”.

Em grampo de 23 de dezembro, “Carlinho” fala com Bertholino sobre pagamento realizado em um município da Grande São Paulo e dos planos imediatos da organização. Eles falam em “atacar outras cidades para ganhar dinheiro e sustentar a cooperativa”.

O deputado Capez nega ligação com a quadrilha da merenda.

O governo do Estado já abriu investigação, a cargo da Corregedoria-Geral da Administração.

A Secretaria da Educação tem destacado que está colaborando com as investigações.

LEIA O RESUMO DE 53 INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS DA OPERAÇÃO ALBA BRANCA0001

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