O salto quântico para o desenvolvimento do Brasil

Carlos Alexandre Klomfahs*

01 Maio 2018 | 03h00

O presidencialismo importado pelo Brasil dos Estados Unidos revela desde a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, um lócus de concessão de privilégios e de permissivos ao alastramento da corrupção tanto pelo poder que acumula quanto pela forma como governa.

E dos Estados Unidos trouxe também as preocupações que os Federalistas como Alexander Hamilton tinham: se com tanto poder concedido pela Constituição Americana ao presidente haveria diferença real entre o presidencialismo e a monarquia, uma vez que a limitação ou o controle de constitucionalidade pela Suprema Corte Americana somente apareceria em 1803 no emblemático caso Marbury versus Madison.

Necessitamos urgente quando elegermos esse ano um novo presidente da República de um novo modelo de governança presidencial baseado tanto em estudos técnicos multidisciplinares em áreas prioritárias quanto uma maior abertura à participação da sociedade.

Observando em comparação o novo rumo que toma as grandes democracias e seus desafios que tem sido relegado à margem da participação cidadã, sendo essa uma necessidade premente que se impõe para a sobrevivência da nação.

Para isso é preciso uma ‘democracia deliberativa’ como defende Jürgen Habermas, que incorpore a participação da sociedade civil na regulação da vida coletiva, assim como uma ‘participação e liberdade política’ como propôs Hanna Arendt, ou até a ‘ideia de justiça e a prática de democracia’ como propalado por John Rawls.

Assaz relevante é a importância da ‘diversidade e da democracia’ sugerida por Michael Sandel, filósofo político norte-americano e professor da Universidade de Harvard, na permanente e desafiante palestra ‘O que é Justiça?’.

Utilizei a metáfora do Salto Quântico para ilustrar a complexidade e imprevisibilidade das variáveis dos problemas sociais brasileiros e da superação da abordagem Cartesiana-Newtoriana pela abordagem Quântica quanto ao poder da motivação, da união da Sociedade Civil com os esforços da presidência da República e da coragem e vontade de mudar esse atual estado de coisas que vivemos, especialmente os relacionados às questões básicas do contrato social como saúde, segurança e alimentação.

Em Física Quântica, quando uma partícula que está num determinado nível energético ela ganha uma quantidade extrema de energia ela salta para um nível mais alto. Esse salto é chamado de Salto Quântico.

É essa quantidade extra de energia que é esperada do próximo presidente de forma endógena e exógena, equilibrando um perfil psicológico-pessoal com idealista-visionário com apoio, envolvimento e participação popular da sociedade civil organizada no novo modelo de governança presidencial, mantendo um ‘momento angular’ – termo utilizado da física – constante que permita não só uma nova abordagem dos complexos problemas como as mudanças estruturais necessárias e urgentes, como igualmente no preparo das próximas gerações para lidar com o alto nível de complexidade das relações humanas.

Devemos, portanto, sobrepujar antigas formas de lidar com problemas de forma Cartesiana-Newtoriana, com uma visão e formulação matemática mecanicista da natureza ou do espaço tridimensional da geometria euclidiana clássica que não cabe mais, que falhou e foi superada, isto é, quando ainda tínhamos uma quantidade e tipo de variáveis conhecidas, o que hoje na Era Quântica isso já não se sustenta.

Isso porque a Teoria Quântica mostra-nos que o mundo não pode mais ser analisado a partir de elementos isolados, independentes. Ao revés, estamos cada vez mais convictos com os achados e resultados da Física Quântica de que vivemos em uma rede interdependente, interconectada, nunca antes foi tão necessário a participação de toda a sociedade na mudança estrutural necessária.

Já que noções como previsibilidade, certeza e segurança também não podem ser encontradas na abordagem Quântica. Isso porque a concepção do Universo como uma ‘rede interligada de relações’ é um dos temas tratados com maior frequência na Física Moderna.

Para a Física Quântica que é a mais racional e lógica das ciências matemáticas, o abandono da abordagem da Física Newtoriana Clássica é substituída pela abordagem Quântica, onde há instantaneidade de acontecimentos e de respostas, como revelam seus Teoremas: dualidade onda-partícula, superposições de estados quânticos, princípio da incerteza de Heisenberg e a ponte Einstein-Rosen.

O propalado Salto Quântico título desse artigo tão necessário ao novo modelo de governança presidencial e para o desenvolvimento do Brasil deve se apoiar na união da sociedade civil e gravitar em torno de um mesmo propósito de prosperidade nacional, especialmente na garantia das questões básicas prometidas pelo Estado no contrato social firmado com nós cidadãos como a saúde, segurança e alimentação, pari passu, no combate à corrupção sistêmica e secular, na insistente violência urbana e aos nobiliários e coloniais privilégios ofertados a uma elite privilegiada em detrimento do cidadão comum, herança de um Brasil-Colônia que insiste em permanecer.

Em suma, o papel do próximo presidente da República eleito ao apresentar um novo modelo de governança presidencial quanto ao desenvolvimento nacional e a escolha das prioridades nacionais deve ser de verdadeiro maestro a reger uma orquestra com múltiplos talentos e players, recebendo de forma multifacetada uma contribuição em número máximo da sociedade civil sob o bastião das alternativas de enfrentamento dos complexos problemas urbanos, sociais, políticos, econômicos e internacionais que afligem e desafiam o Brasil e o mundo, em uma grande rede interligada, multidisciplinar e interdependente.

*Advogado e professor

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