O relógio de US$ 20 mil que a Odebrecht deu para Jaques Wagner

O relógio de US$ 20 mil que a Odebrecht deu para Jaques Wagner

Delator da Odebrecht diz que ex-ministro petista ganhava relógios e acertou doações de R$ 25 milhões em 2006, 2010 e 2014

Ricardo Brandt, Fábio Serapião, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

13 Dezembro 2016 | 05h00

Jaques Wagner. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Jaques Wagner. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff e homem de confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), recebeu como presente da Odebrecht um relógio de US$ 20 mil com a imagem gravada do Congresso Nacional. É o que afirma o ex-executivo do grupo Claudio Melo Filho, em anexo de sua delação premiada fechada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

“Quando do aniversário de Jacques Wagner em março de 2012, foi dado um relógio Hublot, modelo Oscar Niemeyer. Em outros aniversário, que não me recordo o ano, também foi enviado relógio da marca Corum, modelo Admirals Cup. Esses presentes foram entregues junto com um cartão assinado por Marcelo Odebrecht, eu e André Vital”, afirmou Claudio Filho.

“Eu me lembro com detalhes do relógio Hublot, porque esse relógio tem, em seu fundo, a imagem do Congresso Nacional, um símbolo de Brasília.”

RELOGIOS DE WAGNER

JAQUES WAGNER PRESENTES

Principal contato de Jaques Wagner com a Odebrecht, Cláudio Filho afirmou que em 2006, 2010 e 2014 a empresa deu R$ 25 milhões em doações eleitorais, via oficial e por caixa 2, para as campanhas do petista e para a campanha do governador da Bahia, Rui Costa (PT), em 2014.

Os pagamentos tinham o aval do presidente afastado do grupo, Marcelo Bahia Odebrecht, que está preso em Curitiba, desde 19 de junho de 2015.

Claudio Filho disse que conheceu Wagner dos contatos que seu pai, Claudio Melo, já mantinha com políticos de Brasília.

CLAUDIO MELO FILHO PANORAMA

Os interesses da Odebrecht com Wagner eram créditos de impostos na Bahia, quando ele era governador do Estado, e outras pendências referentes referentes ao pólo petroquímico de Camaçari.

Tratado nas planilhas da propina da Odebrecht como “Polo”, o anexo de delação de Cláudio Filho lista dez pagamentos feitos a Wagner entre 2010 e 2011. Os arquivos são do Setor de Operações Estruturadas, chamado pelos investigadores de “departamento da propina”.

Em 2014, Cláudio Melo Filho relata que Wagner pediu dinheiro para a campanha de Rui Costa, que foi eleito governador da Bahia. “No ano de 2014, Jaques Wagner me procurou pedindo apoio financeiro para a eleição de Rui Costa”, informa o delator, no anexo entregue por ele aos procuradores da Lava Jato.

“Conversei com Marcelo Odebrecht, que me disse que só iríamos fazer um pagamento mais elevado caso o assunto da Bahia Gás fosse resolvido ou, então, se um tema denominado ‘Recebíveis CERB’ fosse encerrado”, explicou Claudio Filho.

O tema, segundo ele, era um assunto antigo que envolvia disputa judicial da Odebrecht contra o Estado da Bahia. O valor da pendenga seria de R$ 390 milhões, mas que a empresa aceitou receber R$ 290 milhões, sendo que foi acertado que ela ficaria com R$ 260 milhões e os R$ 30 milhões da diferença seria convertidos em doações eleitorais. O delator cita um acerto para que desse valor a empresa receberia R$ 60 milhões em 2014, dos quais R$ 10 milhões seriam repassados para a campanha de Rui Costa.

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