‘Ô, meu, se é batom na cueca faz a porra dessa delação’

‘Ô, meu, se é batom na cueca faz a porra dessa delação’

Áudios divulgados com exclusividade pela revista Veja nesta sexta-feira, 29, mostra que Joesley Batista, da JBS, repassava a Renan segredos da leniência da J&F com a Procuradoria e que advogada do grupo sugere a ele que depois do acordo de colaboração se 'pirulitasse' do Brasil para ser esquecido

Da Redação

29 Setembro 2017 | 11h56

Joesley Batista. Foto: Felipe Rau/Estadão

Gravações recuperadas pela Polícia Federal e divulgadas com exclusividade nesta sexta-feira, 29, pela revista Veja, indicam que o empresário Joesley Batista, da JBS, repassava ao senador Renan Calheiros (PMDB/AL) detalhes das negociações que o grupo J&F tratava com a Procuradoria da República para um acordo de leniência.

Um áudio pega Joesley – preso há duas semanas em São Paulo, alvo de dois decretos de preventiva, um do Supremo Tribunal Federal e outro da Justiça Federal – contando como corrompeu o procurador Ângelo Goulart Vilela, infiltrado da JBS em investigações de interesse do grupo, como a Operação Greenfield, sobre rombo bilionário nos maiores fundos de pensão do País.

OUTRAS DO BLOG: + Planilha de ‘contas mensais’ apreendida na casa de Lula não registra aluguel de apartamento

Glaucos pede a Moro que intime hospital a apresentar registros de visitas de contador

Toffoli mantém execução provisória da pena de ex-diretor da Assembleia do Paraná

A reportagem de Veja mostra que Joesley e seu interlocutor avaliam os ‘estragos’ da lei que define organização criminosa (de 2013), segundo eles produzida contra facções do crime comum, como o PCC, que domina os presídios de São Paulo, e não para enquadrar políticos.

Outro áudio divulgado pelos repórteres Laryssa Borges e Hugo Marques mostra Joesley conversando supostamente dentro de um carro com o diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud, o diretor jurídico Francisco Assis e Silva e a advogada da JBS Fernanda Tórtima.

Essa conversa ocorreu após uma reunião na Procuradoria-Geral da República. Eles falavam das negociações para o acordo de delação que estava em curso.

Em outra gravação obtida pela revista, Joesley aconselha o interlocutor como se safar de uma investigação. “Ô, meu, é a coisa mais simples do mundo, porque se você tem problema e o problema é, como se diz, batom na cueca, ô, meu, corre lá e faz a porra dessa delação’.

Em outro trecho dos áudios recuperados pelos peritos criminais federais, Joesley fala de sua viagem a Nova York após fechar a delação. Ele demonstra que não estava certo que alcançaria a imunidade penal.

No diálogo, Fernanda Tórtima afirma que a PGR não perderia a oportunidade de fechar o acordo. Segundo a advogada, a melhor opção seria Joesley sair do País. “Pra eles (procuradores) é bom que você se pirulite do Brasil também. Se for prá dar imunidade, que seja fora pra ninguém ver tua cara, ninguém lembrar que você existe. Você longe daqui, sumido, as pessoas esquecem que você ganhou imunidade.”

Mais conteúdo sobre:

Joesley Batistaoperação Lava Jato