O Mensalão do ‘Caranguejo’ Eduardo Cunha

O Mensalão do ‘Caranguejo’ Eduardo Cunha

Delator da Odebrecht revela que propina total de R$ 19,7 milhões a ex-presidente da Câmara, preso na Lava Jato, foi repassada em 36 parcelas mensais de R$ 547 mil, entre 2011 e 2014, por suposta influência do peemedebista na liberação de recursos do FI-FGTS para obras do Porto Maravilha, no Rio

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

20 Abril 2017 | 12h41

Eduardo Cunha tomou 'banho' de dólares durante entrevista na Câmara em novembro de 2015. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Eduardo Cunha tomou ‘banho’ de dólares durante entrevista na Câmara em novembro de 2015. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-presidente da Odebrecht infraestrutura Benedicto Junior confessou, em delação premiada, que a empreiteira pagou R$ 19,7 milhões ao ex-deputado Eduardo Cunha para que o peemedebista exercesse influência sobre a liberação de recursos do FI-FGTS para obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Os pagamentos teriam sido feitos por meio de 36 parcelas de R$ 547 mil cada pagas entre 2011 e 2014.

A delação da Odebrecht é a terceira que aponta para esquemas de corrupção envolvendo Eduardo Cunha na Caixa Econômica Federal. o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, entregou ao Ministério Público Federal investigadores uma tabela que aponta 22 depósitos somando US$ 4.680.297,05, também correspondentes ao Porto Maravilha. O ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, homem forte de Cunha dentro da instituição financeira, também relatou que o peemedebista cobrava comissões variáveis de 0,3%, 0,5% ou até mais de 1% dos repasses feitos pelo Fundo. Somente na região portuária do Rio, segundo delatores, Cunha teria cobrado 1,5% do valor total do Certificados de Potencial de Área Construtiva (CEPAC), que correspondia a R$ 52 milhões.


O delator da Odebrecht Beneticto Júnior afirma ter se reunido em 2011 com Eduardo Cunha, no escritório político do então deputado federal, onde o próprio peemedebista teria pedido propinas referentes às liberações da Caixa Econômica Federal. Os valores exigidos pelo parlamentar foram discutidos em reunião entre as empresas integrantes Concessionária do porto Maravilha – OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia.

De acordo com o delator, teria ficado claro que ‘a partir dos pagamentos concretizados haveria apoio do deputado Eduardo Cunha para eventuais liberações futuras do FI-FGTS para o Porto Maravilha’.

“Durante a aprovação de novo aporte para o Porto Maravilha em novembro de 2014, Fábio Cleto criou algum embaraço no andamento do processo e eu automaticamente questionei Leo Pinheiro da OAS (via WhatsApp) se ele havia acionado o Deputado Federal Eduardo Cunha e ele me afirmou que sim e o mesmo iria falar com Fábio Cleto ao final de semana”, afirmou o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior.

EDUARDO CUNHA MENSAGENS

Eduardo Cunha nem precisava receber uma senha do departamento de propinas da Odebrecht, segundo delatores, já que a empreiteira e o peemedebista se utilizavam dos serviços do mesmo doleiro: Álvaro José Novis. Somente a construtora teria pago 36 parcelas de R$ 542 mil ao peemedebista. No sistema Drousys, utilizado pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para controlar o pagamento de vantagens indevidas, Eduardo Cunha tinha o apelido de “caranguejo”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE EDUARDO CUNHA

A reportagem entrou em contato com a defesa de Eduardo Cunha, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Notícias relacionadas