O diário do delator de US$ 100 milhões

O diário do delator de US$ 100 milhões

Sessões de pilates, acupuntura, leituras, clínica de fisioterapia, 'tarefas domésticas'...veja a rotina do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco, aquele que confessou ter recebido propina milionária de fornecedores e empreiteiras contratadas pela estatal

Julia Affonso e Ricardo Brandt

12 Agosto 2017 | 06h15

Pedro Barusco. Foto: André Dusek/Estadão

 

Parte do acordo de delação premiada do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco prevê que o executivo faça uma espécie de diário de sua vida. Delator que confessou US$ 100 milhões em propinas, Barusco entregou à Justiça na quinta-feira, 3, um resumo de seus dias entre 30 de maio e 28 de julho.

Barusco fechou delação premiada com o Ministério Público Federal em 2014 e não chegou a ser preso. As revelações do executivo foram feitas entre novembro e dezembro de 2014 à força-tarefa da Lava Jato e tornadas públicas em fevereiro de 2015.


Ao longo de cinco páginas da agenda entregue à Justiça, o ex-gerente detalhou suas atividades na parte da manhã e da tarde, viagens e trabalhos comunitários. O relatório indicou oito sessões de pilates e 24 de acupuntura.

O primeiro dia da caderneta de Barusco, inaugurada em 30 de maio, foi dedicado à ‘execução de tarefas domésticas, administrativas, pagamentos de contas e atividades em bancos, leituras e estudos diversos’.

Na manhã de 31 de maio, o ex-gerente relatou as mesmas tarefas do dia anterior. “Na parte da tarde comparecimento à clínica de fisioterapia para sessões de alongamento e acupuntura, devido à minha condição de saúde”, justificou.

Entre 3 e 4 de junho, Barusco foi a Curitiba, base da Lava Jato. O ex-gerente declarou ter viajado para recolocar a tornozeleira eletrônica. “Pernoite em Curitiba”, afirmou. “Retorno de Curitiba e permanência em casa, em cumprimento da pena. Execução de tarefas domésticas, administrativas, leituras e estudos. Repouso devido a minha situação de saúde.”

Dois dias após voltar da capital paranaense, Pedro Barusco relatou ter ido a Angra dos Reis, cidade litorânea do Rio. “Viagem a Angra dos Reis para trabalhos domésticos e administrativos na residência de propriedade de minha esposa. Na parte da tarde, execução de tarefas domésticas, administrativas, pagamentos de contas e atividades em bancos, leituras e estudos diversos.”

O ex-gerente da Petrobrás disse à Justiça que está fazendo trabalhos comunitários no Centro de Responsabilidade Social do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em seu site, a entidade afirma ter ‘como missão promover a implementação de ações do Jardim Botânico do Rio de Janeiro relacionadas às questões sociais, científicas e ambientais, bem como a formação de recursos humanos e inclusão sociocultural’. Pedro Barusco registrou, em seu diário, nove comparecimentos ao Centro de Responsabilidade Social: 1, 8, 22 e 29 de junho e 6, 7, 13, 20 e 27 de julho.

Pedro Barusco já foi condenado a 47 anos e 7 meses de prisão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Como firmou delação premiada, o ex-gerente cumpre as penas acordadas em sua colaboração.

O acordo de delação do executivo prevê que, após o trânsito em julgado das sentenças condenatórias que somem o montante mínimo de 15 anos de prisão, os demais processos contra Barusco ficam suspensos.

Em março de 2016, Barusco começou a cumprir sua pena de regime aberto diferenciado perante a 12.ª Vara Federal de Curitiba.

Foram impostas quatro medidas ao delator – recolhimento domiciliar nos finais de semana e nos dias úteis, das 20 às 6 horas, com tornozeleira eletrônica, pelo período de dois anos; prestação de serviços comunitários à entidade pública ou assistencial de 30 horas mensais pelo período de dois anos, apresentação bimestral de relatórios de atividades; após os dois anos iniciais, remanescerá, pelo restante da pena, somente a obrigatoriedade de apresentação de relatórios de atividades periódicos a cada seis meses; e proibição de viagens internacionais, pelo período de dois anos, salvo autorização judicial.

O diário de Barusco aponta que nos fins de semana, como prevê o acordo de delação, o executivo ficou em casa.

“Permanência em casa, em cumprimento da pena. Execução de tarefas domésticas, administrativas, leituras e estudos. Repouso devido a minha situação de saúde”, narrou o delator.

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