‘Nunca recebi nada por Belo Monte’, afirma Delfim Netto

‘Nunca recebi nada por Belo Monte’, afirma Delfim Netto

Ex-ministro da Fazenda dos anos de chumbo (1967/1974) citado em delação premiada da Lava Jato por recebimento de valores nas obras de usina, diz que prestou assessoria na formação de segundo grupo que participaria de concorrência

Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

12 Março 2016 | 16h46

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, citado em delação da Lava Jato

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, citado em delação da Lava Jato

“Nunca recebi nada por conta de Belo Monte.” A afirmação é do economista Antônio Delfim Netto, poderoso ministro da Fazenda dos anos de chumbo (1967/1974) citado em delação premiada da Operação Lava Jato pelo suposto recebimento de valores ainda não explicados na obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

 

 

“Antes do leilão (de Belo Monte) só existia um concorrente. Nunca recebi nada por conta de Belo Monte. Ajudei a montar o segundo grupo para competir com o primeiro. Prestei uma assessoria”, afirmou Delfim Netto, em entrevista ao Estadão neste sábado, 12.

Criador do ‘milagre econômico’ da ditadura militar e conselheiro econômico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Siulva, Delfim Netto terá que explicar à força-tarefa da Lava Jato qual sua participação em Belo Monte e porque recebeu valores referentes ao negócio. Pelo menos quatro delatores apontaram propinas nas obras da usina, pagaas por um consórcio de empreiteiras como a Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, Engevix, entre outras – todas acusadas de corrupção na Petrobrás.

 

Delfim Netto afirmou que prestou assessoria para formação de uma “segundo grupo”.

“Era formado por empresas menores que não estavam no grupo anterior. Era uma montagem (do segundo grupo) para que houvesse concorrência.”

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O ex-ministro da Fazenda diz que se retirou do processo. “Depois ficou visível que isso não ia acontecer. A Eletrobrás tomou conta do processo. Isso aconteceu entre 2011 e 2012. Então eu me retirei normalmente. Terminou, não ia ter concorrência. Ia ter uma escolha direta.”

O leilão para construção e operação de Belo Monte foi realizado em abril de 2010 e as obras fechadas em 2011. Dois consórcios disputaram o leilão da usina: o vencedor Norte Energia, formado por Chesf, Queiroz Galvão, OAS, Mender Jr entre outras, e o derrotado Belo Monte Energia, que tinha como sócios as estatais Furnas e Eletrosul, e a empreiteira Andrade Gutierrez.

Com as obras em andamento, no Rio Xingu, próximo do município de Altamira (PA), Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo. A conclusão das obras é prevista para janeiro de 2019. Investimento total estimado em R$ 28,9 bilhões.

Delfim Netto afirma que não recebeu valores da obra.

“Eu não recebi nada. O que eu recebi foi por essa assessoria. Nunca recebi nada por conta de Belo Monte. Foi uma vida muito efêmera. Eu nunca recebi absolutamente nada.”