Nove crimes de Picciani, Melo e Albertassi

Nove crimes de Picciani, Melo e Albertassi

Procuradoria Regional da República acusa à Justiça deputados do PMDB do Rio, presos na Operação Cadeia Velha

Julia Affonso e Luiz Vassallo

07 Dezembro 2017 | 18h12

A denúncia contra os deputados estaduais peemedebistas do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, atribui nove imputações aos parlamentares.

Documento

Formalmente, eles são acusados de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a Procuradoria-Regional da República no Rio, 26 empresas de transporte contribuíram com R$ 250 milhões para a ‘caixinha’ de propinas dos políticos.

Entre os fatos narrados no documento de 188 páginas estão propinas da Odebrecht, da Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte), desvios da arrecadação com passagens de ônibus e a ocultação de fortunas.


R$ 11,5 mi para o‘ Grego’

De acordo com o Ministério Público ‘entre os dias 13 de agosto de 2008 e 30 de setembro de 2014, em ocasiões distintas’, Jorge Picciani pegou R$ 11,5 milhões em propinas do executivo da Odebrecht Benedicto Júnior, por meio do doleiro Álvaro Novis. Os procuradores afirmam que, em troca, ele editou ‘atos normativos pelo legislativo’, direcionou ‘eventuais licitações e contratos a serem realizados pelo executivo durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral, vantagens de interesse do grupo empresarial’. Nas planilhas do departamento de propinas da empreiteira, ele aparece como “Grego”.

‘Maria Mole’

Em troca também de edição de leis e de facilitar o ‘bom relacionamento com Sérgio Cabral’ com o fim de beneficiar a Odebrecht, Paulo Melo é acusado de pegar propinas de R$ 1,4 milhão. Seu codinome no Drousys, sistema do departamento de propinas da empreiteira, é ‘Maria Mole’. Os crimes teriam ocorrido entre setembro de 2010 e setembro de 2014.

Passagens de ônibus

Para os procuradores, o presidente da Alerj, Jorge Picciani, recebeu de empresários ligados à Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) R$ 49,9 milhões. Os valores teriam sido acertados entre o ‘rei do ônibus’, Jacob Barata Filho, do empresário José Carlos Lavouras, e Lélis Teixeira, ex-presidente da entidade. As verbas teriam sido desviadas de passagens de ônibus, entre 2010 e 2015, em 34 pagamentos.

Marcelo Traça

Entre 2016 e 2017, o empresário Marcelo Traça diz ter pago R$ 18,6 milhões a Jorge Picciani, supostamente oriundos de esquemas também para o benefício do setor de empresas de ônibus e associados da Fetranspor. Traça admitiu os pagamentos em delação.

Paulo Melo e a Fetranspor

O peemedebista Paulo Melo é acusado de pegar, entre 2010 e 2015, R$ 54 milhões, em 25 ocasiões, de empresários da Fetranspor, oriundos de verbas desviadas das passagens de ônibus.

Propina FM

Segundo os promotores,por meio de patrocínios da Fetranspor às suas três emissoras de rádio, o deputado peemedebista Edson Albertassi recebeu pagamentos mensais de R$ 60 mil, entre 2012 e 2014.
“Mais exatamente, o deputado EDSON ALBERTASSI, segundo o colaborador, era remunerado para dificultar, na ALERJ, a tramitação de projetos que pudessem trazer prejuízos para o setor de transporte”, diz o MPF.

R$ 1 mi escondidos
Entre 2012 e 2014, o Ministério Público Federal acusa Jorge Picciani, Felipe Picciani e José Augusto Ferreira, dono do banco BVA, de ocultar R$ 1 milhão em propinas e manuseá-las em benefício do ex-governador Sérgio Cabral.

Com ajuda do conselheiro

Com a suposta ajuda de Jonas Carvalho, ex-presidente do Tribunal de Contas do Rio, Jorge e Felipe Picciani teriam ocultado e dissimulado a origem de R$ 760 mil. O dinheiro é oriundo de operação comercial subfaturada, segundo os procuradores.

Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Fotos: Tania Rego/Agência Brasil, Fabio Motta/Estadão e Alerj

Orcrim

“JORGE SAYED PICCIANI; PAULO CESAR MELO DE SÁ; EDSON ALBERTASSI; FELIPE CARNEIRO MONTEIRO PICCIANI; JORGE LUIZ RIBEIRO; CARLOS CESAR DA COSTA PEREIRA; ANA CLAUDIA DE ANDRADE; MARCIA ROCHA SCHALCHER DE ALMEIDA; ANDREIA CARDOSO DO NASCIMENTO; FABIO CARDOSO DO NASCIMENTO e FELIPE CARNEIRO MONTEIRO PICCIANI, constituíram Organização Criminosa para prática de crimes, sobretudo corrupção ativa e passiva, assim como lavagem de dinheiro, razão pela qual estão incursos nas penas do Art. 1º, § 1º e art. 2º, §§ 3º e 4º, II da Lei 12.850/13”, conclui a força-tarefa.